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Sadona Piriquita -Por Elmo Elton

Imagem Ilustrativa

Chamava-se Rosa. Residiu, por alguns anos, na Vila Garrido, aparecendo, vez por outra, no centro de Vitória. Negra retinta, um nadinha de gente, andava ligeiro, usando sempre vestidos estampados de chita, saia larga com babados, a cabeleira de pixaim dividida em trancinhas presas por laços de fita, cada fita de uma cor. Era esperta, serviçal, muito estimada pela família de seu João Pessoa, ali residente, dono de pequena chácara, com dez ou doze cabeças de gado, com curral onde se tirava o leite vendido à vizinhança. Sadona Piriquita, hábil na ordenha de vacas, na lavagem de roupas e limpeza de casa, não raro, se enfarava da rotina do dia-a-dia, e, assim, enfeitada e serelepe, lá se ia até o Paul, a espiar as modas. Vendo-a tão empiriquitada, de sapatos altos, brancos, que mal se lhe ajustavam nos pés, eis que a molecada gritava, seguindo-a:

- Sadona, cadê a piriquita?

A mulherzinha, enfezada, esbravejando, levantava então a saia (andava sempre sem calça) e mostrava a castíssima "piriquita", já que se proclamava virgem absoluta. (Ela e Rainha das Flores, repetia nessas ocasiões, eram não só belas, como, também, as duas únicas virgens de Vitória.)

Esse gesto, o de levantar a saia, fazia-o frequentemente, não apenas para os moleques do bairro, mas para os passageiros de bondes (linha Paul - Vila Velha - Paul), como, ainda, para os catraieiros, que zombavam dela. Recordo de, certa vez, tê-la visto, frente ao pequeno cais de Paul, completamente despida, a dar "bananas" para os catraieiros, numa cena então inédita, mesmo para os que mais zombavam dela.

Sadona Piriquita teria falecido no início da década de 40.

 

Fonte: Velhos Templos e Tipos Populares de Vitória - 2014
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter Aguiar Filho, fevereiro/2019

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