Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Sorriso – Por Hermógenes Lima Fonseca

Hermógenes Lima da Fonseca

Era ainda cedo quando resolvi viajar. A minha vizinha estava dormindo e sorriso apareceu me festejando, balançando o rabo, e entrou no carro. Fechei a porta, levantei os vidros e parti em rumo desconhecido para a dona do Sorriso.

Sorriso fedia como o diabo, aliás, segundo algumas pessoas, o diabo fede a enxofre ou a chifre queimado. As pulgas se alvoroçaram, ele se coçava e vinha o banco para frente me perturbando dirigir. Assim não dava, com tanta pulga e tanto fedor. Mas eu tinha que levá-lo.

Mal chequei em casa, tirei a roupa, vesti o calção e me joguei no rio com Sorriso, dando-lhe um esfregão com sabonete. Bicho parece que nunca tinha tomado banho!

Saiu correndo e foi enxugar-se na areia, rolando pra cá e pra lá. Neocid, porém, resolveu o caso.

Não sei o nome que tinha antes. Sorriso e Risada foi o nome que logo lhe deram, porque ele tem os dentes inferiores salientes, e assim ficou conhecido por todo o mundo.

Malu, que estava usando um aparelho para acertar os dentes, prometeu que depois cederia para o Sorriso. Não é que ela me mandou de Buenos Aires, onde tirou o aparelho! Experimentei na boca de Sorriso mas não deu e, por falta de dentista especialista em ortodontia canina, abandonei a idéia de acertar os dentes de Sorriso.

Sorriso revelou-se o maior paquerador da paróquia. Levava dois ou três dias na farra. Não sei se conseguia alguma coisa na disputa do cio de jovens cadelas.

Mas no verão ele se tornou especialista em visitar as barracas armadas no camping, e penetrava para cheirar as campistas dormindo despreocupadamente o mulherio se alvoroçou, os maridos idem, e pediram ao gerente do camping pena de morte para Sorriso.

Cachorro sem vergonha! Se tu continuar com essa sem-vergonhice de ir cheirar as mulheres nas barracas do camping, eu deixo te matar a pau!

 

Fonte: Revista Você – UFES – Ano I Nº 9, março, 1993 (Coluna Curubitos)
Autor: Hermógenes Lima Fonseca 
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2015

Literatura e Crônicas

Hoje em dia - Por Carlos Tourinho

Hoje em dia - Por Carlos Tourinho

Assim como poderíamos imaginar que o Centro da cidade, hoje em processo de esvaziamento e em campanha de revitalização, poderá voltar a ser um lugar bom de se morar

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Anos de 1567 e 1569 - Por Basílio Daemon

Ainda outra aldeia em Reritiba, hoje Benevente, na rampa de uma montanha e ao redor dela com outra principiada ainda no lugar chamado Orobó, a dez quilômetros pouco mais ou menos do mar

Ver Artigo
Ontem, Hoje e Amanhã - Por José Carlos Corrêa

Gostávamos muito dali pois o Parque na época era o melhor lugar da cidade. Lá morava a Lurdinha, melhor amiga de Dodora, no Edifício Moscoso

Ver Artigo
Quarta-feira no Parque - Por Maria Helena Hees Alves

Admiro as peças antigas que o Parque ainda guarda: um sinaleiro apagado, um chafariz sem água e um relógio parado

Ver Artigo
Fumaça nos meus olhos - Por Marzia Figueira

A jovem de longo vestido branco, em renda e tule,...correm os anos dourados, suave é a noite, o salão é do Clube Vitória e a debutante sou eu...

Ver Artigo
O Fim - Por Maria Amélia Dalvi

A imagem mais recorrente quando eu pensava nele era: nós dois prendendo as bicicletas com correntes nas calçadas da Rua Sete

Ver Artigo