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Turismo do Espírito Santo - Por Aloísio Santos

O SR. ALOÍSIO SANTOS (MDB — ES. Pronuncia o seguinte discurso na Câmara dos Deputados)

Senhor Presidente, Srs. Deputados, no prefácio do "Anuário do Estado do Espírito Santo", cujo editor teve a gentileza de me autografar um exemplar e que foi publicado para os anos de 1973/74, Euripedes Queiroz do Valle assim se expressou a respeito de nosso Estado: "Tudo o que se fizer em nosso Estado para difundir e divulgar as suas coisas, os seus homens e os seus valores há de merecer os aplausos e o apoio de todos os bons espírito-santenses. A falta de uma divulgação e uma publicidade inteligente sobre o que temos e o que somos tem sido a causa maior de um desconhecimento quase completo de nosso Estado".

O Brasil — já o dissemos de uma feita — continua sendo, para certos efeitos, aquele grande arquipélago de que nos falava o velho Ruy Barbosa, no princípio do século. Os Estados vivem insulados. Ignoram-se e desconhecem-se mutuamente, sobretudo no que tange à vida cultural, social e econômica de cada um.

Os meios de comunicação de que já dispomos atualmente, como rádio, jornal a televisão, conduzidos por uma política um tanto estreita e circunscrita a determinadas áreas de atividade, colocam, não raro, as nossas unidades federativas em autênticos compartimentos isolados e estanques. Desta sorte, tudo o que se fizer para transpor a barreira desse isolamento há de merecer sempre a acolhida da franca e auspiciosa dos que aspiram para o Brasil em geral, e para os Estados em particular, a um futuro de horizontes mais amplos e claros. Daí o recebermos com justificada satisfação e incontida alegria a idéia de se publicar o "Anuário do Estado do Espírito Santo".

Com a redação de Francisco Flores Rodrigues, pesquisa e documentos a cargo de Jorge Mauro Jantorno e Rosemere Pires dos Santos, num trabalho de equipe com Lia Mara Pandolpho, José Carlos de Oliveira, Rita de Cássia Poleze e Arildo Gonçalves da Cunha, com fotografias de Nivaldo José de Oliveira (responsável), arquivo do Jornal A Tribuna e EMCATUR, tendo como fontes de consulta Euripedes Queiroz do Valle, Maria Stella de Novais, "Escalada do Desenvolvimento", de A Gazeta, IBGE, DEE, A Tribuna, O Diário e Jornal da Cidade, e alinhando entre seus colaboradores D. João Batista da Motta e Albuquerque, Arcebispo Metropolitano de Vitória, o já citado Euripedes Queiroz do Valle, Rubem Braga, J. C. Monjardim Cavalcanti, Gilson Pinciara Sarmento, Kátia Eleonora Calmon Pimentel, Neida Lúcia Moraes e Joaquim Beato, Srs. Deputados, o "Anuário do Estado do Espírito Santo", composto de informações das mais variadas, visando a atender a todas as camadas da comunidade capixaba e àqueles, direta ou indiretamente, interessados no conhecimento pleno da vida do Estado, do fruto de um trabalho árduo de pesquisas e redação que durou mais de seis meses, um diagnóstico realístico à luz de verdades insofismáveis, que tem como objetivo primordial mostrar de maneira clara e precisa, o que fomos o que somos e o que poderemos ser no Espírito Santo, se a roda da História não se desviar de seu curso normal.

Citando palavras textuais do redator desse Anuário, Sr. Presidente, quero frisar que a intenção é a seguinte:

"... de fornecer a todos as espirito-santenses, desde a criança do colégio, o jovem universitário, o profissional de várias categorias, até o homem de empresa, capixabas ou de outros Estados, o que o Espírito Banto possui em termos de viabilidades práticas, além de sua História e Geografia. O Anuário se destina a forjar uma mentalidade voltada para esta parte do território brasileiro que, realmente, só agora, depois de mais de 400 anos, começa a dar os primeiros passos em direção a um horizonte de progressos."

Eu poderia ocupar todo o tempo desta minha fala, Srs. Deputados, exaltando algumas das grandes realidades que têm engrandecido a vida do Espírito Santo. Eu poderia, por exemplo, citar os nomes de todos os grandes e conhecidos e populares artistas brasileiras que, com Roberto Carlos à frente, têm ajudado a tornar mais conhecido o nome de nosso Estado. Eu poderia citar muitos nomes de famosos intelectuais que, com Rubem Braga à frente, têm ajudado a honrar o nome capixaba dentro e fora do Brasil. Eu poderia falar do complexo portuário de nosso Estado que, com o Porto de Tubarão à frente, garante grande parte da renda de nosso Estado.

Eu poderia falar da Companhia Vale do Rio Doce e de multas outras indústrias, umas grandes e outras pequenas, como, por exemplo, a tradicional Fábrica de Pios de Caça, de Maurílio Coelho, seu inventor e propagador por todo o Brasil e até para o exterior.

Eu poderia falar, Sr. Presidente, dos Municípios do Espírito Santo, e começaria invariavelmente por meu querido Cariacica, com a maior concentração de indústrias do território capixaba, parte integrante da Grande Vitória, com população de mais 110 mil habitantes, cuja Importância geo-sócio-politica-econômica eu gostaria muito de ressaltar. Mas prefiro concentrar-me, neste pronunciamento apenas num assunto: o turismo no Espírito Santo.

Já se tornou conhecida a frase slogan que exprime a realidade turística capixaba: "Espírito Santo: um verão de janeiro a janeiro." Enquadrando-se dentro das prioridades da Administração Estadual, o programa turístico do Espírito Santo tem uma filosofia avançada e seus resultados podem ser considerados até aqui auspiciosos, podendo-se, entretanto, dizer que muito mais poderia ter sido feito através da chamada "indústria sem chaminés".

Um dos lados turístico do Espírito Santo que têm sido pouco explorados — e por isso pouco conhecido fora das fronteiras do Estado — é o folclore, o rico folclore capixaba. Realizada há mais de 200 anos pelo povo espírito-santense, a Festa do Alardo é, entretanto, quase que circunscrita às nossas fronteiras. O mesmo se pode dizer do "Ticumbi", também conhecido como Baile do Congo ou Baile de São Benedito, na mesma forma, os Reisados, a Folia de Reis, os Ternos de Reis. A suculenta cozinha capixaba também não tem tido a propaganda que merece. A "torta capixaba", a "muqueca capixaba", o "peixe de sal preso", a "caranguejada", a "roupa velha", o "quibebe de abóbora" com lombo ou carne seca, a "carne seca ensopada com banana da terra" e outros pratos exclusivos da cozinha do Espírito Santo mereceriam já se ter tornado impositivos no cardápio de todos os principais hotéis turísticos do Brasil.

Falar do turismo do Espírito Santo, entretanto, Srs. Deputados, é ficar restrito a Guarapari ou Marataizes. Não resta dúvida alguma de que Marataizes, por exemplo, tem seu valor indiscutível. Bem como Guarapari. Mas é preciso não esquecer a "Cidade do Sol".

O Governo do Espírito Santo, através da Empresa Capixaba de Turismo - EMCATUR está construindo, entre Guarapari, Vila Velha e Vitória, a primeira cidade tecnicamente planejada para turismo em toda a América Latina. É o aproveitamento racional paisagístico de uma área de 8 milhões de metros quadrados, formando uma cidade completa para o lazer e o turismo do futuro.

É preciso não esquecer a cidade-relíquia de Anchieta, na faixa radioativa do Espírito Santo. Balneário de encantadoras praias e um repositório natural de arte sacra, graças à imponência secular do Santuário de Anchieta, não se tornou ainda, entretanto, o centro nacional das comemorações do Apóstolo do Brasil, que continuam centralizadas em São Paulo.

É preciso não esquecer, Sr. Presidente, Linhares, centro produtor de cacau e madeira. Situado às margens do Rio Doce, nele está à belíssima região das Grandes Lagoas, entre as quais se destaca a de Juparanã, com 37 quilômetros. Região ideal para caça e pesca, a lagoa Juparanã oferece praias maravilhosas e já mereceria estar ganhando muito maior expressão, cujo futuro está agora dependendo do Projeto do Parque Estadual de Juparanã, cuja execução esta confiada à EMCATUR.

É preciso não esquecer Rio Novo Sul, Castelo, São José do Calçado, Guaçui, Vila Velha, e sempre e sempre Guarapari. É preciso não esquecer as montanhas, como atração turística paisagens de beleza e excelente clima dão à cidade de Domingos Martins o direito de ser considerada uma "Suíça" Capixaba. Pedreiras, a 1200 metros de altitude, estão a apenas 50 minutos de Vitória. Município famoso por seus doces cristalizados, pela avicultura avançada, por seus jardins sempre floridos e pelas frutas de clima europeu, já poderia ser multo mais conhecido no Brasil todo. Quase não se fala mais no Vale do Canaã e no Museu Mello Leitão, onde se poderá apreciar a famosa criação de colibris do naturalista Augusto Ruschi, que já mereceu reportagem até da revista americana "National Geographie Magazine".

Imortalizada na obra clássica de Graça Aranha "Canaã" — Santa Leopoldina já não é mais conhecida no Brasil. No entanto, ela conserva a tradição dos primeiros imigrantes pomeranos e alemães em suas festas folclóricas, e exibe ao turista o Museu do Imigrante e a beleza da lagoa do rio Bonito.

Tudo Isso, Srs. Deputados, e muito mais do que isso é o turismo do Espírito Santo. Pouco conhecido porque pouco difundido, será, entretanto, uma fonte inesgotável de grandeza para nosso Estado, se suas potencialidades forem postas a serviço de uma divulgação cada vez maior de nossas coisas e de nossa gente.

Encareço, pois, desta tribuna, a necessidade de as autoridades estaduais do Espírito Santo darem cada vez maior realce, em sentido nacional e internacional, às potencialidades turísticas de nosso Estado. Sei muito bem, Sr. Presidente, que a infra-estrutura atual do turismo capixaba não comporta uma expansão mais acentuada. É preciso, entretanto, investir nessa indústria, que tem sido gratificante no mundo inteiro e que pode transformar-se numa formidável fonte de renda para nosso estado, bem como uma excelente oferta de novos empregos para um estado cuja economia ainda gira em torno de duas ou três grandes empresas.

O Espírito Santo tem de deixar de ser uma Ilha de isolamento neste sentido. A chave maravilhosa, que abrirá suas portas para o Brasil e para o mundo, é ainda e será sempre o turismo.

 Era o que tinha para dizer.

 

Fonte: Diário do Congresso Nacional – 20/11/1975
Autor: Aloísio Santos
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2014

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