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Vila do Riacho

A origem da Vila do Riacho se situa em 1800, quando foi instalado um quartel na confluência dos Rio Riacho e Comboios, pelo Capitão-mor Antônio Pires da Silva. Como outros quartéis às margens de outros rios do Brasil de então, o Quartel de Riacho serviu para repelir os ataques dos índios botocudos a viajantes, índios civilizados, comboios e boiadas que tinham que passar por ali. Para os botocudos, o local era uma espécie de sentinela avançada de seu território do interior e norte do Espírito Santo, Minas Gerais e sul da Bahia.

Menos de uma década depois, Quartel de Riacho já mostrava um franco crescimento, pois sua guarnição tinha sido reforçada em função da carta régia de declaração de guerra aos botocudos O documento saiu em 1808, logo que a família do príncipe regente de Portugal, Dom João VI, veio para o Brasil, fugindo da perseguição do imperador da França, Napoleão Bonaparte.

Quartel de Riacho foi visitado pelo príncipe alemão Neuwied em 1815 e pelo botânico francês Auguste de Saint-Hilaire em 1818, que atestaram que ainda era forte a presença militar. Mas, por volta de 1828, o local já era conhecido nas redondezas como Campos do Riacho.

As terras férteis de Campos do Riacho atraíram muitos fazendeiros e a migração aumentou mais ainda quando a região passou a pertencer ao município de Santa Cruz (Aracruz a partir de 1943), criado em 3/4/1848. Italianos recém-chegados de seu país começaram a aparecer por volta de 1874.

 

Progresso

 

Em 1858, foi criada a primeira escola, pela Lei Provincial (equivalente às leis estaduais de hoje) nº 321. Em 1864, outra Lei Provincial, de nº 25, criou a freguesia de São Benedito do Riacho. A igreja, ainda existente, seria construída pouco depois.

Um levantamento feito em 1876 mostrou que Campos de Riacho já registrava 1.003 moradores, 6,5 % dos quais eram negros escravos. Também mostrou 179 alunos freqüentando a escola e um índice de alfabetização (11,7% da população) quase duas vezes maior que o da sede do município, Santa Cruz (6,4%).

A comparação entre os dois povoados é levada ainda mais adiante pelo historiador barrense José Maria Coutinho: “O crescimento de Campos do Riacho nos 76 anos após sua fundação era maior do que o de Santa Cruz experimentara nos três primeiros séculos de sua existência. A maioria dos trabalhadores de Riacho estava na agricultura do açúcar, milho, feijão, mandioca, etc., enquanto que o número de criadores de gado quase suplantava o de Santa Cruz. Os engenhos fabricavam açúcar, aguardente, rapadura e mel. O comércio dos mais diversos gêneros era ativo. Havia cerca de 508 casas em Santa Cruz e 136 em Riacho.”

Em 25/1/1891, foi criado o Município de Riacho, com sede em Campos do Riacho, abrangendo os territórios dos Distritos de Riacho e Ribeirão da Linha (hoje Distritos de Guaraná e Jacupemba). Mas o município só durou até 16/5/1931, quando foi reintegrado ao de Santa Cruz.

Dentro do que se pôde apurar, consta que o último prefeito do município foi Philareto Carlos Loureiro e que seu antecessor, de 14/4/26 a 2/5/30, foi Dalmácio Coutinho. As duas últimas Câmaras Municipais foram:

 

1924-1927

Antônio de Mattos Pimentel

Antônio Nunes Gonçalves

Ernesto Rosário do Nascimento

Herculano dos Santos Leal

Joaquim Ribeiro Pinto Machado

 

1928-1931

Belmiro Manoel de Carvalho

Ernesto Rosário do Nascimento

Herculano dos Santos Leal

Joaquim Ribeiro Pinto Machado

Philareto Carlos Loureiro

 

Decadência

 

Pelo menos três fatores foram decisivos para o enfraquecimento de Vila do Riacho (atual nome de Campos do Riacho): o crescimento do povoado que ficaria conhecido como Barra do Riacho, cerca de 11 quilômetros ao sul, na foz do Rio Riacho; o desenvolvimento da atividade agropecuária no noroeste do município, destacando-se Guaraná e Jacupemba; a transferência da sede municipal de Santa Cruz para o povoado de Sauaçu, regulamentada em 1948 e concretizada em 1950 (o município mudou de nome para Aracruz em, 1943).

Pela década de 50, segundo José Maria Coutinho, a orla litorânea – não só Vila do Riacho, como se vê – pouco a pouco foi abandonada pelos administradores municipais, entrando assim em decadência, enquanto o interior progredia.

“O progresso das Vilas de Aracruz, Guaraná e Jacupemba tornou-as mais importantes que as do Riacho, Barra do Riacho e Santa Cruz, ultrapassando sua arrecadação e produção econômica, com o café, o gado e o leite, principalmente. E uma estrada (a BR 101) as colocava no meio do caminho entre o sul e o norte do país”, detalha Coutinho, para completar: “Só com a chegada da Aracruz Celulose (a construção da fábrica foi iniciada em 1976) o litoral voltou a conhecer certas melhorias infra-estruturais e desenvolvimento social”.

Mesmo coma queda do prestígio de Vila do Riacho, um filho local, Pedro de Araújo Leal, foi prefeito de Aracruz de 1955 a 1958 e de 1963 a 1966, embora não exercendo todo este segundo mandato. De lá também saíram os vereadores Édson Chagas Filho (1993-1996) e Marlene Souza do Nascimento (1993-1996 e 1997-2000).

 

Fonte: Faça-se Aracruz! (Subsídios para estudos sobre o município) 1997
Organizador: Maurilen de Paulo Cruz
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2011

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