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Capítulo III - A viagem ao Brasil pelo Príncipe de Weid-Neuwied

Rio de Janeiro quando da chegada do Príncipe de Weid-Neuwied

O Príncipe de Weid-Neuwied partiu de Londres em 07 de maio de1815(67) e adentrou a Baia de Guanabara em 16 de julho de 1815, trazendo em sua bagagem todo um aparato técnico, necessário à empreitada proposta, como também, todo um horizonte de expectativas(68) em torno de um futuro excitante, porém ao mesmo tempo nebuloso.

Partindo da Europa em um período correspondente a primavera, nosso viajante, apesar de toda a expectativa de mar calmo e tranquilo, encontra em sua partida uma grande resistência do oceano, o que acaba por lhe “prender” em terras inglesas por vários dias.

Rompido os primeiros desafios, finalmente a jornada tem seu início, e Maximiliano se encontra a caminho do Brasil.

Narrando, com uma riqueza de detalhes que lhe é característico, os diversos acontecimentos diários, Maximiliano contribui sistematicamente para a compreensão do dia a dia no, e sob, os conveses das diversas embarcações que se aventuraram ao longo de séculos na travessia do Atlântico em direção ao “Novo Mundo”.

Chegando à costa do Brasil em fins do mês de junho, o navio em que viajava Maximiliano conheceu a violência das tempestades tropicais. Tendo sido retido pelo mau tempo em 27 de junho no litoral de Pernambuco e forçado a se afastar ligeiramente da costa devido aos fortes ventos, somente em 8 de julho é que novamente terá contato com a terra, já na Baía de Todos os Santos.

Finalmente, após vários dias sob forte tempestade, o tempo firme volta a fazer companhia e sob ventos favoráveis o Janus adentra a Baía do Rio de Janeiro em 16 de julho de 1815. No dia 17, já ancorado e às vésperas de seu desembarque, Maximiliano deixa o registro de sua primeira visão do Rio de Janeiro:

 Deste ponto se avista grande parte da baía do Rio, a qual é cercada de altas montanhas, entre as quais a serra dos Órgãos se destaca por seus picos, semelhantes aos Alpes Suíços. Muitas ilhas lindas se acham espalhadas pelo porto, o mais belo e seguro do Novo Mundo, e cuja entrada é defendida de ambos os lados por fortes baterias. De onde nos encontrávamos, via-se, em frente, a cidade do Rio de Janeiro, construída sobre várias colinas à beira-mar. Oferece ela uma bela perspectiva, com suas igrejas e conventos situados no alto. O fundo do cenário por trás da cidade é constituído por montanhas de forma cônica, arredondadas em cima e cobertas de florestas; embelezam extraordinariamente a paisagem, cujo primeiro plano é animado por grande quantidade de navios de todas as nacionalidades. É ai que reinam a atividade e a vida; canoas e chalupas passam em contínuo movimento, e as pequenas embarcações de portos vizinhos enchem os intervalos entre os grandes navios das nações da Europa(69).

 

 

NOTAS

(67) Em nota o tradutor informa que segundo a edição francesa da obra, o embarque de Maximiliano teria acontecido em 15 de maio de 1815, no entanto tal indicação não aparece descrita na edição em alemão, além de não abrir precedente para uma data clara da partida de Londres em direção ao Rio de Janeiro, entretanto, na página 21 da obra, que compreende a viagem da Inglaterra ao Rio de Janeiro, Maximiliano deixa o seguinte relato: "Um bote, trazido de terra por oito remadores índios, nos trouxe dois pilotos, que guiaram o Janus, ao seu ancoradouro, em frente à cidade. Esses marinheiros nos trouxeram belíssimas laranjas, que nos pareceram tanto melhores quanto, depois de setenta e dois dias que nos achávamos a bordo, não havíamos tido nenhuma fruta fresca." Esse relato foi escrito às vésperas de seu desembarque no Rio de Janeiro, 17 de julho de 1815, o que acaba indicando a possibilidade da data aqui proposta. Cf. PHILIPP, Maximilian Alexander. Viagem ao Brasil... Op. cit., p. 11, p. 21, nota 9.

(68) Segundo Koselleck, experiência e expectativa são duas categorias adequadas para nos ocuparmos com o tempo histórico, já que elas entrelaçam passado e futuro, pois enriquecidas em seu conteúdo, elas dirigem ações concretas no movimento social e político. KOSELLECK, Reinhart. Espaço de experiência e horizonte de expectativa: duas categorias históricas. In.: KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Trad. Wilma Patrícia Maas, Carlos Almeida Pereira. Rio de Janeiro: Contraponto/PUC Rio, 2006, p. 308.

(69) PHILIPP, Maximilian Alexander. Viagem ao Brasil... Op. cit., p. 22

 

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Revisão Ortográfica

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Projeto Gráfico e Capa

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Agradecimentos

Grupo de Trabalho Paisagem Capixaba

 

Impressão e Acabamento

Gráfica Dossi

 

Fonte: Viagens à Capitania do Espírito Santo: 200 anos das expedições científicas de Maximiliano de Wied-Neuwied e Auguste SaintHilaire/ 2. ed. rev. amp. Vitória, Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, 2018
Autor: Bruno César Nascimento
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2020

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