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Colatina Capital de ES - Revolta do Xandoca

A família Monteiro, em 1892; Jerônimo Monteiro, aos 22 anos, está no centro da foto. Do seu lado esquerdo, o irmão Bernardino e, sentado ao lado da mãe, padre Fernando que a partir de 1902 se tornou bispo

No período de 1908 a 1930, houve apenas duas pequenas crises sucessórias. Nada, porém, que pudesse pôr em risco a manutenção da soberania do monteirismo. A primeira ocorreu no início do governo de Bernardino Monteiro (1916) e a outra foi no final de seu mandato (1920).

Na primeira crise, um grupo de deputados capixabas rompeu com a oligarquia dominante, tentando impor o nome de um líder político do norte do Estado como presidente. Derrotados na pretensão, proclamaram um novo governo estadual em Colatina, que foi elevada à condição de “capital provisória” pelos revoltosos. Foi um movimento isolado que, sem sustentação política, dissolveu-se por si mesmo. O episódio ficou conhecido como Revolta do Xandoca, pois seu líder foi o deputado Alexandre Calmon.

O processo sucessório sofreu um novo abalo em 1920, quando dois irmãos do clã Monteiro, Jerônimo e Bernardino, disputavam a liderança familiar e oligárquica. Jeronimistas e bernardinistas apoiavam candidatos diferentes à presidência estadual. A “capangada” em armas, da facção jeronimista, tentou tomar o palácio do governo de assalto, para impedir a posse do candidato eleito, Nestor Gomes. Houve tiroteios, perseguições e mortes. Por todo o Estado registraram-se confrontos entre os dois grupos. Para apaziguar a situação foi necessária a intervenção do governo federal. O presidente da República, Epitácio Pessoa, após consultar a Comissão Verificadora de Votos do Congresso Nacional, confirmou a vitória de Nestor Gomes, que foi empossado.

Jerônimo Monteiro perdeu a batalha pela hegemonia familiar. Este racha interno o afastou do centro do poder estadual. A partir de 1920, o único cargo político que ocupou foi o de senador da República. No entanto, embalado pelos acontecimentos em nível federal, voltou à cena pública estadual em 1930, organizando a oposição ao governo de Aristeu Borges de Aguiar.

O importante é que, com qualquer membro da oligarquia Monteiro no poder, o Estado estaria a serviço dos cafeicultores, dos coronéis.

 

Fonte: Livro História do Espírito Santo - uma abordagem didática e atualizada 1535 - 2002
Autor: José P. Schayder
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2014

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