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Complexo Samarco - US$ 200 milhões/ano

Mineroduto

Com quatro tipos de obras de dimensões gigantes e diversificadas (mina de Germano, mineroduto, usina de pelotização e terminal portuário), o projeto da S.A. Samarco Mineração, com um dos maiores investimentos da iniciativa privada no País (600 milhões de dólares), deve assegurar para o Brasil, o ingresso anual de divisas no montante de 200 milhões de dólares. Mais de 50 empresas foram envolvidas na execução de todo o complexo (obras).

O projeto Samarco foi evidenciado a partir de 1971, quando a S.A. Mineração da Trindade (Samitri) e a Marcona Internacional S.A., subsidiária da Marcona Corporation de São Francisco, Califórnia, começaram estudos conjuntos visando o aproveitamento de reservas de minério de ferro nas áreas de concessão da Samitri, em Minas Gerais. Este aproveitamento seria através da transformação do minério em polpa, tornado-o facilmente manuseado.

Os estudos evidenciaram que, segundo os cálculos da época, a operação do sistema de transporte do minério de ferro por uma tubulação de cerca de 400 quilômetros seria a um custo 10 vezes menor do que por transporte ferroviário, que normalmente seria a solução mais econômica, pois poderia ser, paralelamente, movimentados outros tipos de cargas.

SUA HISTORIA

Há cerca de 6 anos que o projeto Samarco começou a ser estudado e viabilizado. Sua história começou no decorrer de 1971, quando a Samitri e a multinacional Marcona Inernacional S.A. (uma subsidiária da Marcona Internacional, de São Francisco, Estados Unidos) iniciaram estudos preliminares sobre a utilização do processo desenvolvido pela Marcona, para manuseio do minério em forma de polpa (slurry), para o aproveitamento das reservas dc minério de ferro existentes nas concessões da Samitri, localizadas no município de Mariana, Minas Gerais.

Com a finalidade de desenvolver, implantar e operar o projeto constituiu-se em 1973, uma nova empresa brasileira denominada Samarco Mineração S.A. de cujo capital 51% pertencia à S.A. Mineração da Trindade (Samitri), uma das maiores empresas brasileiras de mineração, e os restantes 49% remanescentes estavam em mãos da Marcona e seus associados.

Entretanto, como conseqüência da nacionalização da Marcona International S.A., no Peru, ocorrida em 1975, durante o governo general Juan Velasco Alvarado, a Utah Internacional Inc, um dos principais acionistas da Marcona, assumiu a responsabilidade desta última no projeto Samarco.

A multinacional Utah Internacional Inc, é uma tradicional empresa de mineração norte-americana, abrangendo suas atividades os setores petróleo, urânio, cobre, carvão e minério de ferro. A transferência das ações da Marcona para a Utah, foi efetivada em setembro de 1976, através de sua subsidiária brasileira Mineração Matrix Ltda. Assim, a Samitri detém 51% do capital da Samarco e a Utah os 49% restantes.

O projeto Samarco foi integralmente aprovado por despacho do presidente da República, Emílio Garrastazu Médice, publicando no Diário Oficial, dia 3 de julho de 1974. O efetivo início das construções e instalações do projeto, cujo investimento, na época, se elevava 414 milhões de dólares, ocorreu, em fins de 1974. Como estava previsto, sua conclusão se deu no segundo semestre de 1977.

O PROJETO

A produção programada é de 10 milhões de toneladas anuais de pellet feed, das quais 5 milhões de toneladas serão transformadas em pelotas de minério de ferro (esta é uma projeção para o futuro). A produção atual prevista é de 5 milhões de toneladas anuais de pelotas de minério de ferro e de mais uma produção de 2 milhões de toneladas por ano de concentrado não aglomerado. A exportação desses dois produtos deverá contribuir inicialmente para a Balança de Divisas do País com um montante de 200 milhões de dólares.

Quatro obras de dimensões gigantescas compõem o projeto Samarco, que abrange obras e instalações nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. O projeto baseia-se no aproveitamento da jazida de minério de ferro de baixo teor de Germano (Minas Gerais) e econocidade de seu transporte em forma de polpa por mineroduto até o litoral capixaba, onde estão localizados a usina de pelotização e o terminal marítimo da empresa (em Ubu, município de Anchieta).

O projeto exigiu quatro tipos de obras bem diferentes, todas de grande complexidade técnica e construtiva. Destacam-se: as instalações da mina de Germano, no município de Mariana, Minas Gerais, a 140 quilômetros de Belo Horizonte; o mineroduto de quase 400 quilômetros de extensão que é o maior do mundo em capacidade e no gênero; a usina de pelotização, implantada em área de 100 hectares, na Ponta de Ubu, a 80 quilômetros ao sul de Vitória; e, finalmente, o terminal constituído de quebra-mar em rocha com 1.250 metros de extensão e píer de 313 metros de comprimento e 22 metros de largura, que permite, na primeira fase, a atracação de navios de até 150 mil toneladas. Mais de 50 empresas participaram na execução do projeto.

O capital social da S.S. Samarco Mineração, pela decisão dos acionistas na Assembléia Geral Extraordinária de 25 de junho de 1976 aumentou de Cr$ 1 bilhão para Cr$ 2 bilhões, devidamente homologado pela AGE de 18 de outubro de 1976. Atualmente o capital social da Samarco é de Cr$ 2 bilhões e 440 milhões.

FINANCIAMENTOS

Inicialmente, o projeto Samarco previa um investimento de 414 milhões de dólares. Entretanto, quanto ao valor do projeto, seus diretores esclareceram que, em decorrência da última revisão dos orçamentos, baseada nos desenhos de construção e no reajustamento do valor de parcelas substancial de equipamentos já colocada com os fornecedores, o custo do investimento total passou a 564 milhões de dólares em 1975.

Conforme o relatório da diretoria da Samitri/1976, estimava-se em 600 milhões de dólares o custo final do projeto Samarco, dos quais 440 milhões de dólares foram investidos até 31 de dezembro de 1976. O projeto está sendo financiado através de 313 milhões de dólares de empréstimos e 288 milhões de dólares de capital próprio fornecidos pela Samitri (51%) e pela Mineração Marex Ltda. (49%).

Da contribuição total da Samitri de 147 milhões de dólares, 87 milhões de dólares foram investidos até 31/12/1976, restando, portanto, 60 milhões de dólares a serem investidos no período de janeiro a novembro de 1977. O financiamento da parcela da Samitri até dezembro de 1976 foi feito exclusivamente através de aporte de novos capitais e geração interna de caixa.

A Samitri pretendia, segundo o último relatório de diretoria, financiar parte de seu compromisso residual na forma de dívida a longo prazo, cujo total previsto é da ordem de 30 milhões de dólares. As negociações para contração destes empréstimos estavam em curso, não se sabendo quais foram os resultados.

 

Fonte: Complexo Samarco – Suplemento especial de A Gazeta, 29 de setembro de 1977
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2015

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