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Entrevista do ex Interventor General João Punaro Bley (1930-1943) – Parte II

João Punaro Bley

Retornei a Vitória em noite fria, chegando a meu destino às 5 horas da manhã do dia 17. No palácio, encontrei o Coronel José Armando e outros oficiais em preparativos para abandoná-lo e recolherem-se ao 3° BC para oferecer resistência, uma vez que haviam sido informados de que a Coluna Amaral ocupara Colatina e marchava livremente em direção a Vitória. Tentei demover o Coronel José Armando da ideia de resistir, dizendo-lhe que haveria um derramamento de sangue inutilmente. Em contrapartida, ofereci-me para ir ao encontro da Coluna Amaral com o propósito de impedir qualquer ato contra o 3° BC, o que foi aceito. Imediatamente parti com destino a Colatina. Chegando em Santa Tereza, dia 18, encontrei a população à espera dos revolucionários. Telefonei para o Tenente Marroig, representante do Coronel José Armando em Colatina. Por ele fui informado que a Coluna Amaral estava ainda em Baixo Guandu. Disse-me também que o Coronel José Armando mudara de ideia, decidindo resistir. Julguei inútil prosseguir viagem e regressei a Vitória. Informado de que uma companhia do 3° BC, sob o comando do Sargento Davi, havia ocupado um entroncamento da Estrada Vitória-Colatina com a missão de parar a marcha revolucionária, fui ao seu encontro e o convenci a retornar ao quartel general. Nesse mesmo dia, pela manhã, aportou em Vitória o navio Loyde Brasileiro, esperado pelas forças legalistas devido a reforços prometidos. Entretanto, trazia apenas uns poucos engenheiros encarregados de dinamitar algumas pontes na Ferrovia Vitória-Minas. Com tão reduzido reforço, foi intimado a permanecer ao largo e depois com nossa conivência, passou a receber a bordo o Coronel José Armando e alguns soldados que não haviam atendido ao apelo do Tenente Euclides Lins para aderirem a revolução. Ao cair da tarde, chegava a Vitória a Coluna Amaral. O Coronel Campos trazia ordens do Presidente de Minas, Olegário Maciel, para constituir uma junta governativa revolucionária composta  do Desembargador João Manoel de Carvalho, do jornalista Afonso Correia Lyrio e de um oficial do Exército. No dia 19, às 10 horas tomávamos posse perante grande multidão. No dia 24, recebemos comunicação de que o Presidente da República, Washington Luiz, havia sido deposto pela guarnição do Rio de Janeiro e que organizada uma junta militar para governar o Estado. No dia 3 de Novembro, Getúlio Vargas tomava posse, como chefe do governo provisório, juntamente com Olegário Maciel e Juarez Távora. No Espírito Santo o cargo de interventor estava sendo disputado por João Manoel de Carvalho, Afonso Lyrio e Geraldo Viana. João Manoel, que era o mais ativo, valia-se da amizade de sua família com João Pessoa para exigir que o novo interventor fosse pelo menos ligado à corrente de Jerônimo Monteiro. Diante dessa luta acirrada, a Associação Comercial de Vitória telegrafou ao Getúlio Vargas sugerindo meu nome para o cargo de interventor. Fui chamado ao Rio onde cheguei no dia 14 de Novembro, dia do meu aniversário. Batista do Vale conduziu-me imediatamente à presença de Oswaldo Aranha. Esse foi logo me dizendo: "A política do Espírito Santo está muito confusa. O decreto de sua nomeação está pronto e assinado. Aguarde alguns instantes que nós iremos até o Catete para apresentá-lo ao Getúlio". Assim, aos 30 anos de idade, fui nomeado interventor do Estado do Espírito Santo, pelo então chefe do governo Getúlio Vargas, credor da minha estima, sempre atento aos meus pedidos e solucionando os problemas que podia resolver. 

 

Fonte: Espírito Santo: História, realização: Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), ano 2016
Coleção Renato Pacheco nº 4
Autor: João Eurípedes Franklin Leal
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2017

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