Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Nossa vida no Brasil - Imigração dos EUA para o ES

Nossa vida no Brasil - Imigração dos EUA para o Espírito Santo, Brasil

Prefácio do livro - Nossa Vida no Brasil

 

Considerações iniciais

 

O manuscrito Nossa vida no Brasil foi escrito e organizado por Julia Louisa Lee Hentz Keyes, com contribuições de diversos membros de sua família, em especial Jennie Rutledge Keyes, sua filha, e de John Washington Keyes, seu esposo.

A versão original, de 1874, encontra-se no arquivo histórico do estado do Alabama, em Montgomery, nos Estados Unidos, onde realizamos parte de nossa pesquisa documental de uma investigação mais ampla sobre a imigração confederada para o Brasil. O manuscrito é uma referência importante não apenas para os estudiosos do autoexílio confederado, mas para aqueles que desejam estudar a história capixaba, em especial o norte da então província – hoje Estado – do Espírito Santo.

 

A imigração confederada

 

Em torno de oito a dez mil imigrantes confederados teriam deixado os Estados Unidos (EUA) em direção ao Brasil, México, Cuba, Venezuela e outros países da América Latina, bem como ao Canadá, após o fim da Guerra Civil Americana. O Brasil teria sido o principal destino dos imigrantes sulistas: entre dois a quatro mil indivíduos teriam se dirigido ao Império.

Esses números são insignificantes quando confrontados com o movimento em massa de imigrantes ocorrido no Brasil após fins da década de 1880, em especial italianos, alemães, portugueses e espanhóis. Entretanto, há uma especificidade na imigração confederada: não se tratou de um deslocamento motivado apenas pela busca de melhores oportunidades econômicas, mas, essencialmente, por motivos políticos.

Sendo assim, a imigração confederada constitui uma exceção dentro do cenário dos grandes movimentos populacionais do período. Os Estados Unidos da América eram o principal destino dos imigrantes europeus e, destarte, o movimento realizado pelos sulistas em direção ao Império foi de contrafluxo – o segundo maior da história daquele país, sendo o primeiro aquele realizado pelos toriesque rumaram em direção ao Canadá durante a luta pela independência contra a Grã-Bretanha.

Insatisfeitos com a derrota dos Estados Confederados da América, a abolição da escravidão e a supressão dos direitos políticos daqueles que pegaram em armas contra a União, os sulistas almejaram o autoexílio. Estima-se que algo em torno de 16% a 18% das famílias sulistas, entre os brancos, tenham considerado deixar os EUA após a guerra.

Existiu uma convergência ideológica entre os líderes dos imigrantes e os políticos conservadores sulistas, em especial aqueles que clamavam pela secessão anos antes da Guerra Civil. Muitos dos promotores da imigração ao Brasil no pós-guerra tinham sido agentes políticos pró-secessão, ou mesmo familiares próximos.

Por que o Brasil? Tendo a escravidão sido varrida do sul dos EUA pelos exércitos de Sherman e Grant, o Império, junto com Cuba, era um dos últimos países da América onde a possibilidade de empregar a mão de obra compulsória do negro na lavoura comercial ainda existia. Recorrentemente, o Brasil surge nos jornais sulistas como um paraíso para aqueles insatisfeitos com a ordem social imposta pela derrota na Guerra Civil.

 

Fonte: Nossa vida no Brasil – Imigração Norte-Americana no Espírito Santo 1867-1870
Autora: Julia Louisa Keyes
Tradução e notas: Célio Antônio Alcântara Silva (Historiador)
Publicação: Arquivo Público do Espírito Santo, 2003



GALERIA:

📷
📷


Imigração no ES

Colonização Polonesa no ES

Colonização Polonesa no ES

Com a construção da ponte sobre o Rio Doce, em Colatina, uma das soluções encontradas pelo Governo Estadual foi fomentar a imigração para povoar aquela região

Pesquisa

Facebook

Matérias Relacionadas

Ida ao Rio Doce - Imigração Americana

Família Keyes indo de encontro ao Rio Doce, onde mais tarde descobririam o caminho até Linhares, citações em relação a política governamental daquela época, como: vantagens para os imigrantes

Ver Artigo
Novamente embarcados - Imigração Americana

Embarcamos essa vez em um vapor brasileiro, o Juparanã, pronuncia-se Juparanah, que rumava a São Mateus, uma cidade portuária além da província para a qual estávamos indo

Ver Artigo
Vitória - Imigração Americana

Chegada dos Keyes a Vitória, primeira imprenssão para com a cidade e seu comércio

Ver Artigo
Primeira descrição - Imigração Americana

Hospedagem dos Keyes, estranhanamento quanto ás questões sociais e culturais dos brasileiros

Ver Artigo
Varejando rio acima - Imigração Americana

Começando a jornada pelo Rio Doce, relato de acontecimentos durante o percursso

Ver Artigo
Acampando, o crepúsculo às margens do rio - Imigração Americana

Primeira note dos Keyes acampando, dificuldades quanto ao costume do clima local e também quanto a viagem de canoa pelo Rio Doce

Ver Artigo
Quase lá - Imigração Americana

Ansiedade e expectativa dos Keyes para chegar em Linhares, receptividade de outras famílias ao chegarem em Linhares

Ver Artigo
Primeiro dia em Linhares - Imigração Americana

Chegada em Linhares, descrição da vila e suas imediações, popularidade da família para com os brasileiros que já viviam ali

Ver Artigo