Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Praça João Clímaco (ex-praça Afonso Brás) – Por Elmo Elton

Foto entre os anos 1908 e 1912, do acervo de Jerônimo Monteiro - Fonte: APEES (Arquivo Público do Estado do Espírito Santo)

Durante quase três séculos, o largo, que se espraiava frente à igreja de São Tiago, era conhecido ora como largo do Colégio, ora como largo Afonso Brás. Esse jesuíta, chegado ao Espírito Santo em 1551, a mando do Provincial Manoel da Nóbrega, deslumbrava-se com a nova capitania, daí escrever que "é esta terra onde ao presente estou a melhor e a mais fértil de todo o Brasil". Permaneceu no Espírito Santo até dezembro de 1553, isto é, dois anos apenas, mas, nesse curto período, iniciou a construção de um seminário e inaugurou pequena ermida, depois ampliada, que viria a ser a igreja de São Tiago. No adro desse templo, ou seja, o próprio largo em questão, os jesuítas representaram peças anchietanas, como o Auto das Onze Mil Virgens ou Auto de Santa Úrsula, a 21 de outubro de 1595, e, dias antes, o Auto de São Maurício ou Na Vila da Vitória, ali realizando outras manifestações de caráter educacional e religioso.

A Câmara Municipal, a 25 de agosto de 1883, tendo em vista proposta assinada pelos vereadores Passos Costa Junior e Moniz Freire, resolveu mudar o nome do largo para Praça João Clímaco.

Em 1908 o Presidente Henrique Coutinho providenciou melhoramentos ali, sendo que, em 1910, já no governo de Jerônimo Monteiro, quando o logradouro tinha o terreno inclinado para a baía (o terraço onde está situado o coreto é aterro efetuado nessa época), a praça "sofreu transformação radical em planta e perfil". Para aplainá-la, construiu-se um muro de arrimo, coroado por balaustrada, fronteiro à atual Rua Nestor Gomes.

Inaugurou, a 28 de novembro de 1918, também ali, o busto de Domingo José Martins.

Dava frente para essa praça a igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, adquirida no governo de Henrique Coutinho e demolida quando presidente do Estado o Dr. Jerônimo Monteiro, que, no local, mandou construir o edifício da Assembléia Legislativa. A confraria dessa pequena igreja gozava de privilégios da Misericórdia de Lisboa, outorgados por Filipe II. Sua "principal função consistia em manter o hospital e congregar as almas generosas e pias no amparo à pobreza, dar sepultura aos irmãos, no cemitério local, e aos indigentes, em outro campo santo, abaixo do hospital", daí ser o largo Afonso Brás também chamado largo da Misericórdia.

Em 1926, quando da abertura da Rua Nestor Gomes, demolido "o muro de arrimo, coroado de balaustrada", o logradouro ganhou seu atual jardim, cabendo os serviços de jardinagem a Paulo Motta e os de aplainamento da área, com a rampa resultante das modificações ali verificadas, à firma Politti, Derenzi & Cia.

Residiram na referida praça, já neste século, o professor Elpídio Pimentel, o jurista e escritor Augusto Emílio Estellita Lins, proprietário da maior biblioteca do Estado, Carlos Gomes Sá, o poeta e educador Kosciuszko Barbosa Leão, que doou seu palacete, aí edificado, para sede da Academia Espírito-santense de Letras, e o Dr. Carlos Fernando Monteiro Lindenberg.

O atual patrono da praça, padre João Clímaco de Alvarenga Rangel, nasceu em Vitória, a 30 de março de 1799, tendo falecido, na mesma cidade, a 23 de julho de 1860. Foi professor de Filosofia, Diretor do Liceu, havendo sido eleito deputado geral em 1833, quando ainda estudante do curso jurídico. Orou na Capela Imperial, na Corte, onde o padrão de pregadores se afinava por Monte Alverne. Defendeu, em Vitória, os escravos presos em decorrência da Insurreição do Queimado, abandonando, em seguida, a vida parlamentar, em que se notabilizou.

 

Fonte: Logradouros antigos de Vitória, 1999 – EDUFES, Secretaria Municipal de Cultura
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2017



GALERIA:

📷
📷


Bairros e Ruas

Rua São Bento (ex-ladeira de São Bento) – Por Elmo Elton

Rua São Bento (ex-ladeira de São Bento) – Por Elmo Elton

A antiga ladeira, hoje Rua de São Bento, lembra a vinda dos beneditinos ao Espírito Santo. Governando a capitania D. Luísa Grimaldi

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

De bonde com Grijó - Coisas dos tempos de vida pacata

Grandes circos passaram por nossa cidade, dentre eles o Olimecha, Stewanovisk, Irmãos Temperani, Piolim, Garcia, Liendo, Thiany, Grand Circo Americano e outros de menor porte

Ver Artigo
De bonde com Grijó - Santo Antônio

Passo pela Volta do Rabayole, nome atribuído a este local devido a uma família que era praticamente dona do lugar, além de ser uma família tradicional da ilha

Ver Artigo
Praça D. Luiz Scortegagna (ex-largo da Matriz) – Por Elmo Elton

O largo da Matriz não tinha calçamento, era de chão batido. Desaparecidas as ruas 2 de Dezembro e Domingos Martins, a área, antes exígua, se ampliou 

Ver Artigo
Primeiros moradores do Farol de Santa Luzia

Os primeiros moradores da região do Farol de Santa Luzia, na Praia da Costa, Vila Velha, foram...

Ver Artigo
Rua Dois de Dezembro (ex-rua do Beco) – Por Elmo Elton

Tinha começo em frente à Loja Maçônica Ordem e Progresso, onde se construíra um chafariz, e terminava no largo da Matriz, quase paralela à José Marcelino

Ver Artigo