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Praça João Clímaco (ex-praça Afonso Brás) – Por Elmo Elton

Foto entre os anos 1908 e 1912, do acervo de Jerônimo Monteiro - Fonte: APEES (Arquivo Público do Estado do Espírito Santo)

Durante quase três séculos, o largo, que se espraiava frente à igreja de São Tiago, era conhecido ora como largo do Colégio, ora como largo Afonso Brás. Esse jesuíta, chegado ao Espírito Santo em 1551, a mando do Provincial Manoel da Nóbrega, deslumbrava-se com a nova capitania, daí escrever que "é esta terra onde ao presente estou a melhor e a mais fértil de todo o Brasil". Permaneceu no Espírito Santo até dezembro de 1553, isto é, dois anos apenas, mas, nesse curto período, iniciou a construção de um seminário e inaugurou pequena ermida, depois ampliada, que viria a ser a igreja de São Tiago. No adro desse templo, ou seja, o próprio largo em questão, os jesuítas representaram peças anchietanas, como o Auto das Onze Mil Virgens ou Auto de Santa Úrsula, a 21 de outubro de 1595, e, dias antes, o Auto de São Maurício ou Na Vila da Vitória, ali realizando outras manifestações de caráter educacional e religioso.

A Câmara Municipal, a 25 de agosto de 1883, tendo em vista proposta assinada pelos vereadores Passos Costa Junior e Moniz Freire, resolveu mudar o nome do largo para Praça João Clímaco.

Em 1908 o Presidente Henrique Coutinho providenciou melhoramentos ali, sendo que, em 1910, já no governo de Jerônimo Monteiro, quando o logradouro tinha o terreno inclinado para a baía (o terraço onde está situado o coreto é aterro efetuado nessa época), a praça "sofreu transformação radical em planta e perfil". Para aplainá-la, construiu-se um muro de arrimo, coroado por balaustrada, fronteiro à atual Rua Nestor Gomes.

Inaugurou, a 28 de novembro de 1918, também ali, o busto de Domingo José Martins.

Dava frente para essa praça a igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, adquirida no governo de Henrique Coutinho e demolida quando presidente do Estado o Dr. Jerônimo Monteiro, que, no local, mandou construir o edifício da Assembléia Legislativa. A confraria dessa pequena igreja gozava de privilégios da Misericórdia de Lisboa, outorgados por Filipe II. Sua "principal função consistia em manter o hospital e congregar as almas generosas e pias no amparo à pobreza, dar sepultura aos irmãos, no cemitério local, e aos indigentes, em outro campo santo, abaixo do hospital", daí ser o largo Afonso Brás também chamado largo da Misericórdia.

Em 1926, quando da abertura da Rua Nestor Gomes, demolido "o muro de arrimo, coroado de balaustrada", o logradouro ganhou seu atual jardim, cabendo os serviços de jardinagem a Paulo Motta e os de aplainamento da área, com a rampa resultante das modificações ali verificadas, à firma Politti, Derenzi & Cia.

Residiram na referida praça, já neste século, o professor Elpídio Pimentel, o jurista e escritor Augusto Emílio Estellita Lins, proprietário da maior biblioteca do Estado, Carlos Gomes Sá, o poeta e educador Kosciuszko Barbosa Leão, que doou seu palacete, aí edificado, para sede da Academia Espírito-santense de Letras, e o Dr. Carlos Fernando Monteiro Lindenberg.

O atual patrono da praça, padre João Clímaco de Alvarenga Rangel, nasceu em Vitória, a 30 de março de 1799, tendo falecido, na mesma cidade, a 23 de julho de 1860. Foi professor de Filosofia, Diretor do Liceu, havendo sido eleito deputado geral em 1833, quando ainda estudante do curso jurídico. Orou na Capela Imperial, na Corte, onde o padrão de pregadores se afinava por Monte Alverne. Defendeu, em Vitória, os escravos presos em decorrência da Insurreição do Queimado, abandonando, em seguida, a vida parlamentar, em que se notabilizou.

 

Fonte: Logradouros antigos de Vitória, 1999 – EDUFES, Secretaria Municipal de Cultura
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2017



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