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Praia Tênis Clube - Por Sérgio Figueira Sarkis

Esquerda para direita, futebol de salão a fantasia: Gradam) Espíndula, Marcelo Monjardim Cavalcanti, José Luiz Pipa Silva, Nélson

Relatar fatos relacionados ao Praia Tênis Clube me dá uma indescritível alegria. Não só porque ele era de constantes festa e divertimento, mas também por ter sido, durante toda a juventude, parte muito importante da minha vida.

Talvez poucas pessoas saibam, mas o Praia foi criado na área onde hoje está localizada a Praça Cristóvão Jacques, na Praia de Santa Helena. Esta mesma que agora querem dividir em pedaços, para melhorar o acesso à Terceira Ponte.

Como até hoje, havia lá uma quadra de tênis, utilizada pelos moradores da região abrangendo Praia de Santa Helena, Praia do Barracão, Praia Comprida e Praia do Canto. Eles ali se reuniam nos fins de semana, para praticar o nobre esporte.

Eventualmente, realizavam festas juninas e outras atividades sociais, congregando não só os atletas como também suas famílias, praticamente todos os moradores da área e também vindos de outros pontos da cidade.

Lembro-me, ainda garoto, de ter estado em alguns desses eventos. Com o passar dos tempos, os participantes dessas atividades resolveram constituir uma agremiação, à qual batizaram de Praia Tênis Clube.

Ele foi instalado onde encontra-se atualmente. Só que era na Avenida Ordem e Progresso, depois rebatizada como Avenida Desembargador Santos Neves. E tornou-se exemplo em todas as atividades: esportiva, social, benemérita, eventos musicais etc.

Muitas lembranças correm em minha mente. As famosas Festas do Galo, sempre no dia 25 de dezembro, tinham como ponto alto participações de associados em esquetes humorísticos e shows musicais.

Lembro de alguns com a presença de Affonso Queiroz do Valle, Evanildo Silva, Luiz Paulo Dessaune, Reynaldo Broto e Vânia Sarlo. Outros mais a memória me furta a relatar.

Não obstante a realização de festas de todo o gênero durante o ano, o Praia Tênis era o único da Capital a promover o Sábado de Carnaval. Enquanto os outros clubes fechavam, realizava um grande baile de máscaras e fantasias, congregando a sociedade para o início ao Tríduo Momesco.

Nas décadas de 1950 e 1960, o Praia fez realizar os famosos Jogos Praianos, agrupando os associados em bandeiras de cores diferentes — azul, branca, vermelha etc. Estes, disputavam inúmeros jogos, como tênis, natação, vôlei, basquete, futebol de salão, futebol na areia, futebol de campo, gincana de automóveis...

Enfim, todas as atividades esportivas da época. As competições aconteciam durante as férias escolares de janeiro e fevereiro. E culminavam num grande baile, no qual eram anunciados os vencedores de cada modalidade e eleita a Rainha dos Jogos Praianos.

O Praia era uma segunda casa para todos nós. Lembro-me de figuras marcantes frequentando suas instalações naquele período. João Semprine foi um deles. Figura simpática e alegre, boêmio inveterado, gostava de cantar e, invariavelmente, utilizava o microfone do conjunto musical para seus boleros, geralmente já com um nível alcoólico bem elevado.

Numa determinada noite de festa, ficou das 11 da noite até duas da manhã tentando convencer o memorável e eterno presidente Nogueirinha a permitir a entrada no Clube de um amigo inseparável seu.

Após este período todo de tentativas, finalmente Nogueirinha aquiesceu e deu passe livre. Semprine, abrindo o paletó, tirou de dentro do bolso um copo com uísque, tomou tudo num gole só e entrou todo satisfeito com o amigo as mãos.

Escreveria um livro inteiro só para falar do Praia Tênis Clube, mas, como tenho outros assuntos a tratar, finalizo com o Hino do Praia, criado pelo inesquecível José Arimateia Lessa.

Ele, morando em frente ao clube, transformou sua sede em um quintal de sua casa, onde seus filhos se divertiam e desenvolviam suas habilidades, tais como Chico Lessa, hoje legenda musical no Estado.

O hino era cantado obrigatoriamente ao final das festas, já quando o nível alcoólico dos participantes estava bem elevado:

Praia... Praia...
Tu és o maior clube do mundo.
Praia... Praia...
Tu és um clube de bêbados.
O P de porre,
O R de ressaca,
O A de Alka-Seltzer,
O I de indisposição,
E o A, uma homenagem a Álvaro Nogueira,
O maior presidente do mundo.

 

 

Fonte: No tempo do Hidrolitrol – 2014
Autor: Sérgio Figueira Sarkis
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2019

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