Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Sarau à bordo na baía de Vitória em 1851

Ontem um grupo, consistido de alguns membros da elite desta cidade, foi a bordo do vapor de guerra inglês, a convite do capitão. Depois de compartilhar uma refeição, servida com grande esplendor no camarote do nobre milorde, o grupo passou ao convés superior, onde um toldo decorado com bandeiras cobria suas cabeças. A música começou a tocar, e os convidados entregaram-se a nobre diversão da dança. O galante capitão instou um dos jovens oficiais do navio a tomar parte da dança, tomando a mão de uma jovem; mas este convite o indelicado oficial recusou, desculpando-se polidamente, e sem empregar a exclamação nacional inglesa. Evidentemente os britânicos assumiram seus melhores modos para nos recepcionar a bordo, pois nem sequer uma vez durante minha visita escutei a prega nacional God dam! É de uso tão freqüente que um erudito inglês publicou um livro mostrando que ela é proferida a cada cinco minutos por todo homem, mulher ou criança da Grã-Bretanha. Isso é certamente espantoso. O observei um grupo de aspirantes em pé, afastados dos que dançavam, conversando com um pequeno pajem moreno, cujo traje era elegante, consistindo em um chapéu lustroso com uma fita dourada, jaqueta azul com botões amarelos e um par de botas de cano alto. Uma senhora idosa era observada com especial atenção por esses aspirantes, e percebi que circulavam alguns rumores a respeito de sua idade, alguns assegurando que ela tinha trinta e dois anos, outros, apenas dezoito. Por informação de determinada pessoa, fui capaz de confirmar que esta conjectura estava correta; mas como nossas mulheres envelhecem quando ainda muito novas, comparativamente falando, e essa senhora tinha um filho de 4 anos, e um outro de idade mais tenra, a primeira opinião não deveria ser considerada infundada.

 Terminada a dança, os marinheiros no castelo de proa entretiveram os visitantes com algumas canções, uma das quais era o pedido de um negro a uma moça chamada Susana para que não chorasse por ele, pois estava vindo vê-la, causando efeito impressionante, já que todos os marinheiros cantavam o refrão em coro. O cantor principal teve uma vida extraordinária, tendo até se apresentado uma vez no palco. Em minha próxima carta, pretendo iniciar uma biografia desse homem notável.

 Retornando os convidados à terra, o cordial e alegre capitão ordenou que luzes azuis fossem acesas e rojões disparados, para iluminar o retorno deles. Os fogos de artifício clareavam os prédios próximos à beira-mar, e iluminavam os moradores atônitos, que se juntavam nas ruas, boquiabertos e maravilhados. Quando subi atrás da carruagem de minha esposa, não pude deixar de lançar um olhar de despedida ao navio, em prejuízo de minhas meias de seda, que foram salpicadas de lama.  

 

Livro: Ingleses na Costa
Autor: Edward Wilberforce
Tradução: Eliziane Andrade Paiva
Compilação com pequenas modificações por Walter de Aguiar Filho, jan/2011

 

LINKS RELACIONADOS:

>> O Espírito Santo em 1851
>> Ingleses na costa


 

História do ES

Naufrágio em frente à Ilha da Baleia

Naufrágio em frente à Ilha da Baleia

Confira abaixo a história sobre um navio que afundou perto do Morro do Moreno, na baixa localizada em frente à Ilha da Baleia na região do Morro do Moreno

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

No tempo do Hidrolitol - Por Sérgio Figueira Sarkis

Dentro da Confeitaria Colombo, encontrava-se a charutaria dos Benezath

Ver Artigo
Festival de Verão de Guarapari Janeiro 1971

A ideia tinha partido de dois jornalistas, Antônio Alaerte e Rubens Gomes Filho

Ver Artigo
A Fundação de Vitória

Aquela provisão lança por terra a tradição de que foi o triunfo alcançado pelos ilhéus a 08/09/1551 que deu nome a Vitória

Ver Artigo
A Imigração no Espírito Santo – Por João Eurípedes Franklin Leal

A entrada de imigrantes europeus representou a maior transformação social e econômica que o Espírito Santo passou

Ver Artigo
Mané Cocô - Por Elmo Elton

Foi construído um reservatório que passou a servir, ao palácio, repartições públicas e residências particulares dos abastados

Ver Artigo