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Superstições

Capa do Livro: Coletânea de Estudos e Registros do Folclore Capixaba (1944-1982), VOLUME I - Autor: Guilherme dos Santos Neves

Nesta breve comunicação, desfilaremos as mais comuns, ligadas diretamente à morte. Todas elas foram colhidas cuidadosamente, através da via oral, em terras do Espírito Santo. Para melhor exposição, estudo e confronto, vamos reuni-las em ordem alfabética, marcando com breves notas finais, aquelas que são correntes em outras plagas, segundo nosso conhecimento.


Afogado
- Quando morre alguém afogado, o mar engrossa (Manguinho)
- Para se achar o corpo do afogado, põe-se uma vela benta, dentro de uma cuia sobre as águas: onde ela parar e rodar, aí está o corpo do morto. (Vitória, Caçaroca, Manguinho) 


Água
Sonhar com água suja, morte na família. (Serra)
- Quando morre alguém num lugar (aldeia, vila, povoação, etc.), no dia seguintes todos os potes, garrafas, filtros e vasilhas de água devem ser esvaziados, porque o defunto tomou banho em todos eles. (Manguinho)


Amora
- Pé de amora com a raiz debaixo da casa - morte do dono. (Manguinho)


Anjo
- Beija-flor entrando em casa de manhã cedo - morte de anjo. (Manguinho)
- Precisando-se de alguma graça, quando morre um anjinho, coloca-se dentro do caixão um bilhete para Nossa Senhora. A graça será alcançada. (Serra) 


Anum
Anum chorando morte. (Cachoeiro de Itapemirim)
- Anum branco cantando - sinal de morte. (Serra)


Besouro
- Besouro preto dentro de casa - sinal de morte. (Ibituba)


Braços
- Abrir os braços na porta - "gora" a mãe. (Cachoeiro do Itapemirim)


Cachorro
- Uivo de cachorro - morte do dono. (Santa Leopoldina) 
- Cachorro em baixo da cama - morte do dono. (Santa Leopoldina)
- Cachorro quando cava o chão, está fazendo a sepultura para o dono. (Cachoeiro do Itapemirim)


Cama
- Dormir com os pés da cama virados para a rua - sinal de morte. (Vitória, Serra) 
- Doente que muda de cabeceira na cama - morre. (Serra) 


Caixão de defunto
- O defunto deve sair com os pés para a rua, senão vai outra pessoa da casa. (Manguinho)
- As pessoas que pegarem o defunto na saída da casa deverão pegá-lo novamente na entrada do cemitério, senão morrerão logo após. (Conceição da Barra) 
- Quando o corpo do defunto fica mole, está chamando outro. É preciso então tirar a medida do corpo e colocá-la no caixão. (Serra)
- As lágrimas das velas devem ir no caixão do defunto, senão - morte de outras pessoas da família. (Vitória, Conceição da Barra)


Castanheira
- Pé de castanha com raiz debaixo da casa - morte do dono. (Manguinho)


Cobra
- A pessoa mordida de cobra não deve chorar, nem seus parentes, mesmo que aquela venha a morrer, senão morrem as pessoas que choraram. (Manguinho)
- Se derem talho numa cobra, ele seca, e, no mesmo lugar, fica a cobra esperando quem a feriu. Se o picar, morte imediata. (Manguinho)
- Mordida de cobra - Se a gente beber água primeiro que ela, morre a cobra. Se a cobra beber primeiro, a gente é que morre. (Cachoeiro do Itapemirim)


Coruja
- Canto de coruja em cima ou perto da casa - morte do dono. (Manguinho)


Dentes
- Sonhar com dentes - morte de parente. (Vitória, Santa Leopoldina, Cachoeiro do Itapemirim) 
Sonhar que tira dente - morte. (Vitória)


Enterro
- Quem vai ao enterro de alguém deve, na volta, tirar toda a terra do sapato, senão o morto vem buscá-lo. (Manguinho)
- Quando o enterro pára perto ou defronte de alguma casa, é sinal de morte ou casamento naquela família. (Serra) 
Ao jogar os três punhados de terra na cova, sobre o caixão, deve-se dizer de cada vez: "Viva lá muito tempo sem nós". (Conceição da Barra)


Estremecimento
- Quando uma pessoa "estremece" - a morte passou por perto. (Vitória)


Galinha
- Galinha cacarejando em cima da casa - morte. (Manguinho)
- Cacarejando de madrugada - morte (Manguinho)


Galo
- Galo cantando fora de hora - morte de parente. (Cachoeiro do Itapemirim) 


Gavião
- Passarinho gavião cantando perto de casa - aí vai morrer alguém. (Cachoeiro do Itapemirim)


Guarda-chuva
- aberto dentro de casa - morte, ou agoro de morte. (Vitória, Manguinho) 


Lixo
- Apanhar o lixo quando o sol entra, morre o chefe da família. (Serra)


Mala
- Deixar a mala aberta - morte próxima (sepultura aberta). (Vitória, Manguinho Guarapari, Cachoeiro do Itapemirim) 

Mãos
- Pôr as mãos atrás da nuca - morte ou agouro mãe. (Vitória, Cachoeiro do Itapemirim) 


Nomes
- Colocar na criança o nome do pai - um dos dois morre logo. (Serra) 
- Ouvir chamar pelo nome, fora de casa, na mata, sem saber quem foi não se deve responder; procurar-se ver quem foi, pois pode ter sido a morte. (Manguinho)


Orelhas
- Quem tem orelha pequena - morre cedo; quem a tem grande vive muitos anos. (Serra) 


Palito
- Tirar o último palito do paliteiro - fica-se viúvo ou viúva. (Vitória)


Palmas
- Palmas à parte sem aí ter ninguém - sinal de morte. (Manguinho)



- Esfregar um pé contra o outro - morrem os pais. (Serra)


Piolho
- Sonhar com piolho - morte. (Serra)


Procissão
- Se na procissão se começa o terço, ou se o andor da Santa pára em frente de uma casa - é morte ou casamento na família. (Serra)


Retrato
- Queda de retrato - sinal de morte do dono da casa. (Vitória)


Roupa
- Quando se cose a roupa no corpo, deve-se dizer: "Eu te coso vivo e não morto". (Vitória) 


A lista de crendices de morte é infinita. Por ora bastam essas cinqüenta, que comprovam a verdade daquela afirmação de mestre João Ribeiro: "O povo não vive só de pão nem tão pouco de verdades, cultiva as suas mentiras úteis e os seus cândidos embustes. Quem quiser que o desengane." (O folk-lore, p. 138).

 

Autor: Guilherme Santos Neves
Fonte: Coletânea de Estudos e Registros do Folclore Capixaba 1944 - 1982 Volume I, Vitória/2008.
Seleção, organização e edição de texto: Reinaldo Santos Neves

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