Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando desde 2000 a Cultura e História Capixaba

Capítulo III - A cidade do Rio de Janeiro pelo Príncipe Maximiliano de Weid-Neuwied

Após pequena estadia no Rio de Janeiro, preparou-se Maximiliano para sua marcha

Como muitos dos viajantes estrangeiros que por aqui estiveram e um pouco do seu tempo doaram com o objetivo de registrar o cotidiano desse “novo” Brasil que surgiu a partir de 1808, Maximiliano dedicou as páginas iniciais a uma descrição da cidade do Rio de Janeiro, passando pela sua exuberância e mudanças estruturais sofridas a partir da chegada da corte.

Foi durante sua estadia no Rio de Janeiro, que Maximiliano teve seu primeiro contato com os índios. Em uma visita organizada por Wilhelm C. G. von Feldner à São Lourenço(70), o príncipe conheceu os remanescentes dos Tupinambás, o que o levou a profundas reflexões sobre o vocabulário e ações dos portugueses frente a tais povos(71).

Após pequena estadia preparou-se para sua marcha. Segundo Maximiliano,

 

graças ao apoio do governo, de cujas disposições liberais tive a prova na benévola atitude para conosco do ministro Conde da Barca, pude ativar os preparativos da minha viagem. Obtive um passaporte e cartas de recomendações lisonjeiras para mim, que duvido se tenham dado iguais aos viajantes que me precederam. As autoridades eram solicitadas a nos prestar auxílio e proteção toda vez que o necessitássemos e a fazer chegar nossas coleções ao Rio, fornecendo-nos, quando pedíssemos, soldados, guias, carregadores, e animais de carga(72).

 

Tendo preparado os itens necessários à jornada e elaborado enfim o programa da expedição, Maximiliano partiu do Rio de janeiro em 04 de agosto de 1815, pois, “por mais agradável que fosse pra mim [Maximiliano] uma longa permanência na capital, não entrava em meus planos estacionar aí por muito tempo”(73), afinal, são “nos campos e nas florestas, e não nas cidades, que a natureza ostenta as suas riquezas”(74). Tendo a sua frente o desafio de desbravar terras até então desconhecidas pelos estrangeiros e, em alguns pontos, temidas pelos portugueses, seguiu acompanhado de Frederico Sellow(75) e George Guilherme Freyreiss(76), que “conheciam muito bem os costumes e a língua da região”(77), além desses, sua comitiva era composta por 10 homens - portugueses, escravos e índios - e 16 muares, que transportavam todo o aparato técnico, mantimentos e espécies coletadas ao longo do caminho.

Maximiliano parte da cidade do Rio de Janeiro, percorrendo e relatando diversas cidades e vilas em território carioca, como citado anteriormente, porém, como a intenção de nos dedicarmos ao caminho percorrido no Espírito Santo, vamos deixar essa análise para estudos futuros. Dessa maneira podemos iniciar a narrativa dizendo que partindo da fazenda Muribeca, às margens do Itabapuana, ele adentrou em terras capixabas entre os dias 02 e 05 de novembro de 1815, iniciando sua jornada em nossa companhia.

 

NOTAS

(70) PHILIPP, Maximilian Alexander. Viagem ao Brasil... Op. cit., p. 27 et. seq.

(71) Ibidem, p. 28 et. seq.

(72) Ibidem, p. 33.

(73) Ibidem, p. 32.

(74) Ibidem.

(75) Naturalista alemão, natural de Potsdan, com data de chegada ao Brasil registrada no ano de 1814. Com muitas de suas expedições iniciais patrocinadas pelo Barão de Langsdorff, receberá mais tarde o título de Naturalista Subvencionado concedido por D. João VI.

(76) Zoólogo, ornitologista e taxidermista. Partindo de São Petersburgo, veio para o Brasil em 1813 para trabalhar sob os auspícios do Barão de Langsdorff. Assim como Sellow receberá o título de Naturalista Subvencionado.

(77) PHILIPP, Maximilian Alexander. Viagem ao Brasil... Op. cit., p. 33.

 

PRODUÇÃO

 

PAULO CESAR HARTUNG GOMES

Governador do Estado do Espírito Santo

 

CÉSAR ROBERTO COLNAGO

Vice-governador do Estado do Espírito Santo

 

JOÃO GUALBERTO MOREIRA VASCONCELLOS

Secretário de Estado da Cultura

 

RICARDO SAVACINI PANDOLFI

Subsecretário de Gestão Administrativa

 

CILMAR CESCONETTO FRANCESCHETTO

Diretor Geral do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo

 

AUGUSTO CÉSAR GOBBI FRAGA

Diretor Técnico Administrativo

 

Conselho Editorial

Cilmar Franceschetto

João Gualberto Vasconcellos

José Antônio Martinuzzo

Michel Caldeira de Souza

Rita de Cássia Maia e Silva Costa

Sergio Oliveira Dias

 

Coordenação Editorial

Cilmar Franceschetto

 

Coordenação de Arte

Sergio Oliveira Dias

 

Revisão Ortográfica

Jória Scolforo

 

Projeto Gráfico e Capa

Alexandre Alves Matias

 

Agradecimentos

Grupo de Trabalho Paisagem Capixaba

 

Impressão e Acabamento

Gráfica Dossi

 

Fonte: Viagens à Capitania do Espírito Santo: 200 anos das expedições científicas de Maximiliano de Wied-Neuwied e Auguste SaintHilaire/ 2. ed. rev. amp. Vitória, Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, 2018
Autor: Bruno César Nascimento
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2020

Variedades

Cheira a espírito juvenil

Cheira a espírito juvenil

O primeiro show a gente nunca esquece. Com 17 anos, tremendo de medo, subi ao palco de madeira do Colégio Nacional

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Vitória (Em passado próximo) - Seus passeios e atrações turísticas

O Centro da Capital (Cidade alta). Atrações: - a Catedral Arquidiocesana com o seu rendilhado gótico

Ver Artigo
Compositores da Moderna Canção Popular - Os 10 mais conhecidos

Na Guanabara consolidou o prestigio de compositor com a marcha-rancho “Depois do Carnaval”. Chico Lessa figura hoje como uma das grandes figuras da mú­sica popular brasileira

Ver Artigo
Sítio da Família Batalha – Por Edward Athayde D’Alcântara

Constituído de uma pequena gleba de terras de um pouco mais de três alqueires e meio (173.400,00 m²), fica localizado às margens do Rio da Costa

Ver Artigo
Frases de Caminhão - Por Eurípedes Queiroz do Valle

As 10 mais espirituosas Frase de Caminhão do Espírito Santo, 1971

Ver Artigo
Hugo Viola - Por Cesar Viola

Em 24 de abril de 1949, o jornalista Waldyr Menezes escreveu em A Tribuna uma reportagem sob o título: "Jardim América, um milagre residencial para Vitória".

Ver Artigo