Morro do Moreno: Desde 1535
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Detalhes da administração do segundo Vasco

Luiza Grinalda, esposa de Vasco Fernandes Coutinho filho. - Obra em exposição na Casa da Memória de Vila Velha-ES

Preocupado com o desenvolvimento do senhorio, Vasco Coutinho (filho) fez uma revisão na distribuição das terras, passando a novas mãos aquelas cujos sesmeiros tinham morrido ou as haviam deixado no abandono.(7)

Não há notícias de ataques dos europeus durante o governo do segundo donatário.(8) Os autóctones, em 1568, ameaçaram a paz da capitania, mas a presença de Mem de Sá a tornou “mais pasifiqua que nunqua”.(9)

Sobreveio, ao que tudo indica, um período de entendimento e respeito mútuo entre as duas comunidades. Também o ambiente social melhorou, propiciando trabalho mais produtivo, sem as constantes questiúnculas de outrora.

Inspirado pelo sermão de um pregador jesuíta, Vasco Fernandes Coutinho (filho) extirpou o jogo da terra.(10) Era vício que mais contendas provocava no seio da população branca.(11)

 

NOTAS

(7) - F. A. RUBIM, Memórias para Servir, 6; Rubim, Memórias, 222.

(8) - As informações que ficaram das visitas inamistosas que, em 1581 e 1582, franceses e ingleses, respectivamente, fizeram à capitania não são de molde a permitir que as consideremos perigosas à segurança da terra.

– Na carta escrita do Espírito Santo a vinte e sete de julho de 1565, o padre PEDRO DA COSTA informava para Lisboa: “mas sei que algumas cousas se fizeram de mui louvor de Noso Senhor, como foi ajuntar huma grande esmolla, em comparação da pobreza da terra, para tirar huns homens de hum navio que se perdeo na costa que hos contrarios tinham cativos” (Cartas, IV, 267). Aquele contrários seria sinônimo de franceses.

(9) - “Por me vir novas que o gentio da capitania do espirito santo estaua allevantado e tinha mortos muitos branquos foj necesarjo hillo socorer e fuj com pareçer dos capitães e moradores da terra / e deixar por capitão da dita çidade do Rjo de Janeiro a saluador corea de saa meu sobrinho o qual inda agora sostento á minha custa e chegando a dita capitania em muj breue tempo asoseguei o gentio que quis pazes e os que a não quiserão forão castigados e mortos muitos e os que escaparão se forão da terra e fiquou ella mais pasifiqua que nunqua ho que tudo fiz a minha custaa” (Instrumento, 136).

(10) - LEITE, HCJB, I, 217.

(11) - O jogo – principalmente o de cartas – será instrumento ativo de deterioração social pelos séculos a fora. O Santo Ofício, página triste da história ibero-americana, através das Denunciações e Confissões, recolheu material que permite avaliar a profundidade do vício em todas as camadas sociais da colônia. Jogava-se “a cartela e o truque – este ainda usado nos sertões de Minas e Bahia” (WETZEL, Mem de Sá, 36). Em 1550, a alfândega da cidade do Salvador apreendeu um barril com 474 baralhos (DH, XIII, 317).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, maio/2017

Vasco Fernandes Coutinho

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