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Olhar de perto - Por João Carlos Nunes Ramos

Estádio do Salvador Venâncio da Costa em construção

Iluminados pela incessante lua da tarde, artistas da bola brindavam, com as mais célebres jogadas, uma tímida torcida que repousava nas contínuas escadas do Salvador Venâncio da Costa.

Deixando-se passar pelo olhar desatento do simples torcedor, aquela tarde seria mais uma a somar ao longo inventário de jornadas esportivas já assistidas. Mas, como atingido por um raio áureo, despertou na mente de um torcedor uma curiosa imagem oriunda dos quatro cantos do gramado, avistado abaixo.

Era uma figura franzina, cabelos pretos lisos, olhar cabisbaixo, pele morena; sua fisionomia podia ser característica de algum remanescente de nação indígena no Estado. Seu nome foi descoberto através da narração de um locutor esportivo: chamava-se Lameirão. Realmente, percebendo-se com maior detalhe, aquele rapaz destoava em meio à multidão de afoitos à procura da bola. Seus dribles eram desconcertantes e, apesar de possuir um olhar voltado para o chão, sabia se posicionar como ninguém dentro de campo. Defendia a camisa do Vitória Futebol Clube, e a julgar pelos companheiros do time, todos vindos de outros Estados, Lameirão era como único remanescente original de nossa terra. Notavam-se ainda nele traços do nativo capixaba, amante do trabalho, de jeito sereno e perseverante.

No último minuto da partida, que acabaria no zero a zero, eis que surge Lameirão na pequena área do goleiro do Rio Branco, e, como um homem invisível, chuta com suas magras pernas a bola que foi em direção certeira nas redes do gol. Segundos após decreta o juiz o final da partida: vitória do Vitória. E pairava no pensamento dos torcedores vitorienses uma satisfação incontida, de saber que nessa terra, dos ricos manguezais, se pode assistir a bons espetáculos e com maestria nativa.

 

ESCRITOS DE VITÓRIA — Uma publicação da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Vitória-ES.
Prefeito Municipal - Paulo Hartung
Secretário Municipal de Cultura e Turismo - Jorge Alencar
Diretor do Departamento de Cultura - Rogerio Borges De Oliveira
Coordenadora do Projeto - Silvia Helena Selvátici
Conselho Editorial - Álvaro Jose Silva, José Valporto Tatagiba, Maria Helena Hees Alves, Renato Pacheco
Bibliotecárias - Lígia Maria Mello Nagato, Elizete Terezinha Caser Rocha, Lourdes Badke Ferreira
Revisão - Reinaldo Santos Neves, Miguel Marvilla
Capa - Remadores do barco Oito do Álvares Cabral, comemorando a vitória Baía de Vitória - 1992 Foto: Chico Guedes
Editoração - Eletrônica Edson Malfez Heringer
Impressão - Gráfica Ita
Fonte: Escritos de Vitória, nº 13 – Esportes- Prefeitura Municipal de Vitória e Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, 1996
Autor: João Carlos Nunes Ramos.
Nascido em Vitória (ES). Professor de Geografia
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2020

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