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Sabor provinciano do Capixaba - Artes Plásticas

O pintor Schwartz documenta a paisagem capixaba

Apenas os nativistas escapam das modas

Na avaliação do pintor mineiro Loio Pérsio, radicado há seis anos no Espírito Santo e com 45 anos de atividade artística, as artes plásticas capixabas têm qualidade correspondente ao gosto e à formação cultural do povo capixaba. "O que salta à vista", diz ele, "é a incongruência e a gratuidade de quase toda a produção capixaba, sujeita à moda ditada pelas metrópoles".

A esse fenômeno cultural dá-se o nome de provincianismo. Ele ocorre em praticamente todo o Brasil, com exceção do eixo Rio-São Paulo.

Sua principal característica é a submissão aos temas e formas das metrópoles, sem vínculo com as tradições locais. "O espírito provinciano é incapaz de reconhecer sua própria identidade cultural", explica Pérsio, lembrando que o outro traço marcante das artes plásticas contemporâneas é o regionalismo. Nesse caso, os artistas se preocupam em preservar sua história vivida, seja pela temática regional ou pela seqüência do estilo. O mais popular representante dessa corrente, no Espírito Santo, é Francisco Schwartz, um típico paisagista capixaba.

Mesmo sem esquecer a proliferação recente de galerias em Vitória, Loio Pérsio considera que as artes plásticas no Espírito Santo refletem a ausência de um consumo de arte, a falta de uma tradição cultural nítida e a carência de uma educação superior. Esse quadro pobre, que se refere tanto aos produtores quanto aos consumidores de arte, tem origem em limitações do passado. Tanto que, lembra Pérsio, os pouquíssimos artistas capixabas de outrora não deixaram discípulos, nem criaram uma temática que pudesse sobreviver nas gerações posteriores.

 

Fonte: Os Capixabas, A Gazeta 14/12/1992
Pesquisa e textos: Abmir Aljeus, Geraldo Hasse e Linda Kogure
Fotos: Valter Monteiro, Tadeu Bianconi e Arquivo AG
Concepção gráfica: Sebastião Vargas
Ilustração: Pater
Edição: Geraldo Hasse e Orlando Eller
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2016

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