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Veterano dos Palcos

O diretor, dramaturgo, ator e produtor Paulo DePaula

Teatro é algo que não lhe sai da memória. Nem da vida cotidiana. Com 68 anos de existência (64 deles ligados ao palco), o diretor, dramaturgo, ator e produtor Paulo DePaula não quer parar de jeito nenhum. Levou O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, em 1964, para os Estados Unidos quando fazia curso superior em Artes Cênicas por lá. Agora, prepara o retorno do combativo Grupo de Barra, que militou nos anos 70. Mas não deixou de falar sobre os palcos capixabas de hoje. “O público se afasta por falha de produtores”, acredita. Confira trechos da entrevista.

Você foi funcionário do Itamaraty. Como o teatro entrou em sua vida?

Paulo DePaula – Eu tinha 4 anos e papai completou o seminário batista no Rio de Janeiro. Como eu era a criança que o acompanhei no seminário, eles criaram um papel para mim numa peça. Quando entrei, ninguém esperava aquela criança entrar e tomar um palco. Houve um grande aplauso. Parei, esperei o aplauso morrer para começar a interpretar. Havia pessoas que se impressionaram e esse incentivo, então, foi crescendo. Daí, não parei mais.

E seu primeiro trabalho aqui no Espírito Santo?

Formamos o Grupo de Teatro da Barra em 1978, com Branca Santos Neves, Bob DePaula, Alcione Dias, Joelson Fernandes, Luiz Tadeu Teixeira. Era gente que pretendia formar um teatro profissional. Fizemos um trabalho ativo com uma política cultural. Acabou mas sempre pensamos numa retomada. E agora é o momento ideal para fazer isso. Está sendo criada aqui na Barra (do Jucu) uma cooperativa ligando as pessoas como artesãos e gente que faz arte e estamos entrando também nela como o grupo de teatro. Estamos voltando como um grupo organizado.

Nos anos 70, a atividade teatral se destacava no ES. Hoje não se pode falar mais isso. O que aconteceu?

Nessa década, houve os festivais de teatro universitário de onde saíram dois tipos de pessoas, Algumas buscaram profissionalização, lutaram para desenvolver a atividade teatral e hoje se destacam. Por exemplo, Elisa Lucinda, Alcione Dias, Renato Saudino. Porém, a maioria dos grupos apresentados eram formados apenas por gente que se reunia para fazer uma peça e nada mais. Os festivais não vingaram porque eram mais um “auê”, não havia preocupação com a continuidade. Nunca houve uma preocupação geral em se fazer atores a não ser num grupo muito limitado, de onde surgiram as pessoas que citei.

Qual a perspectiva hoje?

Noto duas tendências de sucesso. A primeira é uma maior preocupação das pessoas que escrevem em tentarem fazer textos bons, textos enxutos que agradem o público (Alvarito Mendes Filho e A Caravela da Imaginação, Júlia Duarte e Academia de Ilusões e muitos outros). A segunda é que, esporadicamente, os artistas de Vitória fazem fusões bem sucedidas com gente do eixo Rio-São Paulo. Por exemplo, em Te Pego às 9, Alcione Dias contracena com um ator do Rio. Os resultados são bons.

Mas e a falta de público?

A falta de público é decorrente de má produção. Se temos bons espetáculos, bons atores e não temos niguém que vai é porque a produção está falhando na divulgação, em saber que peças são apropriadas a que épocas e a que pessoas. Falhando em fazer contatos. Simplesmente deixar a informação de estréia da peça no jornal e na televisão não significa casa cheia.

Capixaba gosta de teatro ou tem de ser educado para isso?

É algo natural no homem e não deixaria de ser no capixaba. Todas as nossas raízes folclóricas são teatralizadas. O Ticumbi do Norte do Estado encena uma luta entre cristãos e mouros. O carnaval da Barra do Jucu é um grande teatro. Nós temos uma tradição, desde o início da colonização com padre José de Anchieta que escreveu a maior parte das peças dele aqui no Estado.

Dizem que todo ator experiente e de idade quer interpretar o Rei Lear, de Shakespeare. Você já está com vontade?

Já comecei a pensar isso. Namorei esse projeto, mas é um namoro à distância pois estou fazendo uma série de outras coisas, Fiz adaptações das obras de Shakespeare ar ao monólogo, como Shakesperianas e Hamlet Só. Estamos voltando em novembro com Shakesperianas, com Suely Bispo. Estamos vendo uma produção que agilize uma turnê desse espetáculo por outros teatros do Estado.

 

Fonte: Caderno Dois de A Gazeta de 23 de setembro de 2001
Por: Marcelo Pereira
Compilaçâo: Walter de Aguiar Filho, setembro/2012 



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A Casa azulejada da Serra – Os Barbosa Leão

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