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Convento da Penha: uma mística e a história

Nossa Senhora da Alegria - Autor: Marco Polo, 2005 - Acervo: Luiza Valdetaro Rangel

Vivo em Vila Velha, uma cidade imortal na minha consciência, desde que nasci. Suspeito me considero, apesar da formação de historiador e geógrafo, para falar de um núcleo que pulsa como paixão incontida. Canela Verde assumido, são muitos os elos que me prendem na antiga Vila fundada pelo herói tão humano que foi o fidalgo Dom Vasco Fernandes Coutinho. Mas, algo maior incendeia minha alma de latino: O Convento da Penha!

Ali fui batizado, na primeira metade da década de 60 do século XX, por meu meio-irmão Achilles, um carioca e sua mulher, a maranhense Terezinha. Conjugo, então, por devoção, que sou mariano e franciscano (como humilde cristão romano e ecumênico). Não basta apreciar, e visitar em preces e rezas, desde criança, o ermo sagrado, erigido pelo espanhol Pedro Palácios, índios, africanos e portugueses. Ali tudo magnetiza, inunda nossa mente, de imagens e emoções sadias: a arquitetura sacra, a paisagem exuberante, a geografia acidentada da Ladeira das Sete Voltas (percurso preferido), a fauna e a flora semi-preservadas, a aura de permanência de altas tradições de um cristianismo colonial que, instituído por Portugal, amalgamou-se com a riqueza do animismo e dos cultos afros. Aliás, de pé, no ápice do rochedo da Penha, ainda se observa as ruínas de uma senzala, pois até o século XIX, houve como propriedade dos padres, escravos sob a autoridade do Templo, fruto de um regime - Monárquico - que permeou a sociedade de uma instituição econômica cultural baseada nossa exploração de seres humanos.

Um dos grandes atos reflexivos, no visitante - é salutar dizer que inúmeras autoridades, desde presidentes a príncipes, estiveram em peregrinação ao Convento ‘multisecular’- está em fazer seu "auto de fé", subindo montanha, adentrando na nave espiritual, e observar a paisagem circundante. Seria limitado delinear limites municipais, ver o mar, os morros adjacentes (o Morro do Moreno, em potencial), a Prainha de Vila Velha, o 38° Batalhão de Infantaria e o Forte de Piratininga. Mas sim, pensar, com determinação, o quanto a cidade de Vila Velha (minha grande paixão de vida) mudou em mais de quatro centúrias. Num fechar de olhos, imaginar indígenas livres e felizes, com suas tradições, vivendo harmoniosamente com a Mata Atlântica envolvente; os africanos sofrendo as agruras da escravidão para forjar o trabalho em benefício dos seus algozes, os portugueses e, por fim, a saga camoniana dos europeus lusitanos desbravando com sua fibra exploradora dos confins da Vila do Espírito Santo, que mais tarde seria o território vilavelhense.

Ainda com as pálpebras fechadas, um universo de onças, micos, tamanduás, preguiças, crustáceos, cardumes em profusão, mangues preservados, pássaros e aves aos milhares e multicoloridos ... traziam ao homem do passado um ambiente vital e sem a pressa que hoje nos consome e aflige os sentidos. Mas, se em volta a paisagem se transformou e tornou-se mais pobre, a reserva que circula o Convento e o próprio templo que serve de reduto para a padroeira do Estado Capixaba, resgata para nossas gerações contemporâneas e vindouras a manutenção da fé cristã e uma parte da arquitetura sacra (tombada pelo IPHAN).

A Festa da Penha é um patrimônio imaterial da nossa terra espírito-santense. A cada ano se projeta no calendário nacional e atrai legiões de devotos de todo o Brasil e do mundo. Milagres as centenas já foram consagrados: a sala para este fim e o acervo secular de "ex-votos" incrustados na entrada do templo invocam essa página maravilhosa de nossa casa religiosa. Estamos juntos com os cavaleiros e os peregrinos para mais uma jornada, não apenas nesta data, mas anualmente, sempre para louvar a Virgem Santa.

Palmas para mais este evento, dos mais elevados da nossa cultura capixaba!

 

Por: Eloi Angelos Ghio

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