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Marataíses – Por Maria Stella de Novaes

Marataízes

Dentre os sítios notáveis, pelos predicados de beleza, salubridade e demais atrativos turísticos, no Espírito Santo, figura a Praia de MARATAISES, ao sul do Itapemirim. Tem o seu calendário rico, em tradições, como, por exemplo, a Festa das Canoas, e a poesia da lenda. Surge, assim, mais encantadora aos que a procuram, desejosos de apreciá-la, em todas as minúcias.

Domínio antigo dos goitacás, MARATAÍSES guarda, na pureza das suas areias, nos seus cômoros, na beleza do céu, no murmúrio das vagas, sua história e suas reminiscências; história do encontro dos colonizadores com o silvícola cioso da guarda de sua terra querida; reminiscências suaves, ou trágicas, do amor de suas nativas, dos seus guerreiros, dos lares primitivos, que se formaram, naquela faixa sulina da Terra Capixaba.

MARATAÍSES desponta, assim, gradativamente povoada, entre as lindas praias do Espírito Santo, com o próprio nome envolto na poesia de uma lenda, que recolhemos, para esta preciosa coletânea:

Na tribo dominante do lugar, distinguia-se, entre as jovens fortes e belas, uma privilegiada, pela finura dos traços e suavidade rara da voz. Cantava, à tarde, ao compasso das ondas, para que todos, reunidos, gozassem a delícia do repouso espiritual. Era filha do pajé e noiva de valoroso flecheiro. Chamava-se ISIS.

Desceram mineiros e fluminenses, interessados em abrir caminhos, para o comércio com o litoral; alguns em busca de terras auríferas, que explorassem. Atacados pelos índios puris, no Castelo, chegaram muitos ao Tapumirim, ou Itapemirim. Encontraram, porém, já vestígios de passagem de viajantes e aventureiros que, dos Baixos de Pargos, subiam, pelo extenso litoral.

Aqui e ali, como aliás no Brasil inteiro, sentia-se o branco atraído pela beleza nativa. Por isso, a voz, a delicadeza e demais encantos da jovem goitacá impressionaram um viajante que tentara alcançar a Barra do Itapemirim e caíra prisioneiro dos silvícolas. Mediante colares e espelhos, canivetes e outros presentes, levados sempre pelos brancos, nas viagens, para agradar os nativos, conseguira salvar-se da morte. Procurou acomodar-se, até que lhe surgisse uma salvação, — oportunidade para fugir, por exemplo. E sentiu-se, finalmente preso aos encantos de ISIS. Esquecera-se, mesmo, da sua condição de civilizado, de seus planos comerciais e estabelecimento confortável. Talvez até considerasse melhor o amor puro de uma jucnãm que a opulência do ouro, na luta contra as ambições do mundo instruído. ISIS, porém, fiel à promessa dos esponsais, com o flecheiro goitacá, resistiu ao cortejo do prisioneiro que, revoltado, desvairado, no seu amor, se aproveitou de certa hora descuidada, para cravar-lhe, impiedoso, o punhal, no coração. E, logo, tomou uma igara e desapareceu, rumo algum abrigo, no Itapemirim.

À tarde, quando, para a melodia do repouso, a tribo se reuniu, notou-lhe a ausência e chorou, com amargura, a morte de sua princesa! ... Ali mesmo, na praia, que tanto amava, ISIS foi sepultada, enquanto seus comunitários entoavam cânticos fúnebres, que o mar levava, para longe, muito longe!...

E dizem que, à noite, um vulto esguio, de cabelos ao vento e mãos cruzadas ao peito, errava, na praia, como a cantar, à surdina, sua dor, numa espécie de onomatopéia: — "Mar—ata—Isis", que, posteriormente o povo interpretou  como perene acusação. E o mar, com os beijos de suas vagas, foi esculpindo, no contorno gracioso da praia, o porte inesquecível da princesa goitacá.

Desenvolveu-se o povoamento.

Foram-se os goitacás, batidos para o interior, onde se acabaram presas da nostalgia do mar, do litoral, do vulto esguio e belo que, ao cair da noite, evocava ainda uma tragédia de amor! Deixaram, porém, no lugar, um nome sugestivo, que lhe reforça a beleza, de par com outros valiosos predicados: MARATAISES.


Fonte: Lendas Capixabas, 1968
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2015

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