Morro do Moreno: Desde 1535
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Mem de Sá e a renúncia do Donatário Vasco

Morro do Moreno, onde residiu e morreu, o primeiro donatário do ES, Vasco Fernandes Coutinho

Do Rio de Janeiro, no derradeiro dia de março, o governador geral mandou longa epístola ao soberano sobre os negócios do Brasil. Bem extenso é o trecho alusivo ao Espírito Santo. De princípio participa que encontrou aqui “tres filhos de Vasco fernandes coutinho”(26) e uma carta do donatário, dirigida ao ouvidor da capitania, rogando que renunciasse o senhorio. Para tanto, juntou à missiva uma procuração. O povo, que já estava resolvido a deixar a colônia, quando tomou conhecimento da atitude de Fernandes Coutinho, procurou o governador geral, a quem pediu tomasse conta da capitania em nome da realeza.(27) Com parecer dos capitães – é o próprio Mem de Sá quem o informa – fez lavrar um auto aceitando a renúncia “(para que) se não perdese huma tão boa capitania”. E concluía: “A terra he boa ha nela muito brasil e bom / os armadores pasados como souberem que he de vossa altesa tornarão a armar se lhes mandar falar niso”.(28)

 

NOTAS

(26) - “...moços sem barbas e todos são capitães” (Carta, II, 228).

– Quem seriam esses jovens? Provavelmente Jorge de Melo não se contava neste grupo, pois em 1551 já viajava em navio de sua propriedade (ver foot-note n.º 11 do capítulo V). Seria, portanto, mais que um “moço sem barbas”. Vasco Coutinho (filho) faria parte do grupo? São interrogações que ainda ficam sem resposta, por falta de documentação.

(27) - A insistência com que Mem de Sá, corroborado pelos depoimentos de alguns jesuítas, alude ao interesse dos habitantes do Espírito Santo em que a capitania revertesse à Coroa, leva à conclusão de que era crença geral que tal providência redundaria em proteção mais efetiva para a colônia. Embora passível de certo reparo, uma vez que demonstra ignorar estivesse, justamente naquela quadra, a capitania sob administração oficial, o seguinte trecho de uma carta escrita “por comissão do padre Brás Lourenço”, a dez de junho de 1562, parece traduzir fielmente o ponto de vista dos moradores da terra: “De modo que a gente desta capitania vive com estes sobresaltos esperando que seja de S. A., para poderem ser ajudados com algum socorro pera sua defensão, porque enquanto for doutrem nunqua será bem provida” (Cartas, III, 466).

(28) - SÁ, Carta, II, 228.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, maio/2017

Vasco Fernandes Coutinho

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