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Orçamento, holandeses e escravos

Ruína de pilar desgastado pelas correntes dos escravos, localizando em Anchieta - Rio Salinas

É curioso saber que, justamente em 1617, a dez de junho, o soberano baixava alvará no qual se continha a Folha Geral da Despesa Ordinária que se faz cada ano no Estado do Brasil, totalizando 54:138$298 e na qual a capitania do Espírito Santo entrava com 694$040, assim distribuídos: despesa da igreja: 578$840; ordenados dos oficiais da Fazenda: 115$200.(7)

Portugal sofria, então, o jugo do domínio espanhol, que, iniciado em 1580, se prolongaria até 1640.

Nenhuma significação teria para o Espírito Santo a mudança de coroa, não fossem as duas excursões que às suas águas fizeram os holandeses, cuja presença no Brasil se atribui, em parte, à inimizade entre Espanha e Países Baixos.

Antes, porém, de tratarmos das tentativas de desembarque dos batavos na terra capixaba, impõe-se, cronologicamente, a informação de Basílio Daemon relativa à importação de escravos africanos pela capitania. Na sua opinião, o tráfico direto de braços negros entre o Espírito Santo e África começou em fins de 1621, “sendo obrigados os que os importavam a pagá-los com açúcar e outros quaisquer gêneros, por privilégio especial concedido unicamente a esta Capitania”.(8)

O comércio de carne humana com o continente negro já era velho de quase um século em outras partes do Brasil. Teriam, aqui, os índios bastado, até então, às necessidades dos colonizadores?

A ocupação da cidade do Salvador pelos holandeses de Jacob Willekens encheu de justos receios toda a colônia. Receio sagrado, que produziriam a empolgante reação, coroada pela definitiva expulsão dos flamengos do solo brasileiro. O Espírito Santo foi dos primeiros a levarem a sua efetiva solidariedade à Bahia, mandando para lá, ainda em 1624, um contingente de índios frecheiros que, logo ao desembarcar, entrou em combate.(9)

 

NOTAS

(7) “Capitania do Espirito Santo – Despesa da Igreja

Pagar-se-á ao Administrador duzentos, e quarenta mil reis, que tem por Provisão minha.

A elle mais sessenta mil reis para embarcação, quando vae com os Capitães do seu districto.

Ao Vigario de Nossa Senhora da Victoria setenta, e tres mil novecentos e vinte reis, a saber cincoenta mil reis de seu ordenado, e vinte e tres mil novecentos e vinte reis de Ordinaria de vinho, farinha, azeite, e cera.

Ao seu Coadjutor vinte e cinco mil reis de seu ordenado.

Ao Vigario do Espirito Santo outros setenta, e tres mil novecentos e vinte reis na dita maneira atrás declarada.

As fabricas das ditas duas Igrejas dezaseis mil reis a razão de oito mil reis cada uma.

Aos Padres Capuchos da dita Capitania noventa mil reis de Ordinaria para uma pipa de vinho, um quarto de azeite doce, um quarto de farinha deste Reino, duas arrobas de cera lavrada, que tem por Provisão minha, o qual pagamento se lhe fará na conformidade desta addição, e da Folha de vinte e quatro de Outubro do anno passado, sem alteração alguma.

Somma a despesa da Igreja com a ordinaria acima quinhentos setenta e oito mil e oitocentos, e quarenta reis.

Ordenados dos Oficiais da Fazenda

Pagar-se-ão ao Provedor de minha Fazenda da dita Capitania vinte e quatro mil reis tendo-os por Provisão minha, e não n’a havendo perderá o supplemento na conformidade, que se declarou na dita Folha do Anno passado.

Ao Almoxarife outra tanta quantia com a mesma declaração.

Ao Escrivão da Fazenda do Almoxarife outra quantia quanta pela mesma maneira.

Ao Porteiro da Alfandega tres mil, e duzentos reis que é outro tanto quanto como têm os mais Porteiros. E assim se pagarão a Marcos de Azevedo quarenta mil reis que tem detença por Escrivão minha com a Habito de Cristo com Certidão de como é vivo.

Sommam estes ordenados cento e quinze mil, e duzentos reis.

Despende esta Capitania cada anno seiscentos e noventa, e quatro mil, e quarenta reis” (DH, XV, 42-3; e Anais BN, XXVII, 362-3).

(8) - Prov. ES, 107.

(9) - “Não encontramos quem fosse o condutor destes índios”, declara BASÍLIO DAEMON, a quem devemos a notícia sobre a expedição (Prov. ES, 106-8).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, junho/2017

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