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Macaco na cabeça! - Por Pedro Maia

Parque Moscoso, 1981 - Acervo APEES - Fonte José Luiz Pizzol

Dizem que macaco é um bicho folgado e que, se o homem veio realmente do macaco, tem muito gente por aí que ainda está em plena viagem, ou seja, ainda está vindo. Porém macaco folgado mesmo é um que vive nas árvores do Parque Moscoso em regime de "liberdade vigiada", se é que macaco pode viver num regime destes.

Só para se ter ideia do que este macaco tem aprontado no Parque Moscoso, basta trocar um papo com o Evaristo que, um dia destes, quase morreu de raiva do tal bicho e por pouco não acaba em cana depois que um zeloso membro da Sociedade Protetora de Animais resolveu por bem tomar as dores do macaco, acusando Evaristo de ser uma séria ameaça para a sofrida fauna capixaba.

Pois ia o Evaristo passando pelo Moscoso quando uma ema que ali passeia livre e imponente chamou sua atenção. Quando o Evaristo parou nas grades, do lado de fora, para apreciar o gogó da dita, foi surpreendido por uma mão ágil que lhe arrancou os óculos do rosto. Uns óculos de acrílico, novinhos em folha e do último tipo. Era o raio do macaco. E então começou a festa.

Do alto da árvore o bicho fez mil e umas com os óculos do pobre do Evaristo que, cá de baixo, tentava atrair o macaco de todas as maneiras como costumeiramente se atraem os macacos. Chamava o bicho de Simão, de Chico, de Quincas, do diabo a quatro e o macaco não arredava o pé, ou melhor, o rabo, do alto da árvore. Nestas alturas, os óculos do Evaristo estavam virando literalmente um pedaço de arame na mão do macaco, e o bicho os colocava na cara, batia com eles na árvore e pulava satisfeito como se soubesse a agonia que estava causando ao pobre cá embaixo.

Quando a coisa já estava dando para juntar gente, o Evaristo resolveu subir na árvore atrás do macaco, no que foi impedido pelo zelador do Parque. Foi aí que chegou o tal membro da Sociedade Protetora de Animais e por pouco o tempo não fica realmente quente. Depois de muito bate-boca e da quase presença de uma rádio patrulha o bandido do macaco, como se tivesse cansado do brinquedo, jogou os óculos justamente em cima do Evaristo, que saiu dali queimado nos panos.

Mas o pior mesmo aconteceu de noite, quando Evaristo chegou à sinuca do Haulime, em Jucutuquara, onde sempre passa depois do serviço para um papo com os camaradas e uma cervejinha rápida. Só então soube daquilo que acabou de estragar com o seu dia.

Havia dado macaco na cabeça...

 

Capa: Helio Coelho e Ivan Alves
Projeto Gráfico: Ivan Alves
Edição: Bianca Santos Neves
Lúcia Maria Villas Bôas Maia
Revisão: Rossana Frizzera Bastos
Produção: Bianca Santos Neves
Composição, Diagramação, Arte Final, Fotolitos e Impressão:
Sagraf Artes Gráficas Ltda
Apoio: Lei Rubem Braga e CVRD
Fonte: Cidade Aberta, Vitória – 1993
Autor: Pedro Maia
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2020

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