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Fatos importantes na vida histórica do Convento da Penha

Presidente Eurico Gaspar Dutra, quando da visita ao Convento da Penha em 10 de Setembro de 1949

Fatos importantes, na vida histórica do Convento da Penha, foram, de certo, as visitas dos Presidentes da República, Drs. Artur da Silva Bernardes, Getúlio Vargas e General Eurico Gaspar Dutra.

A 27 de Junho de 1926, o transatlântico "Pará" ancorou na Cidade do Espírito Santo (Vila Velha), conduzindo o presidente Artur Bernardes e grande comitiva, em romaria ao Convento da Penha, onde assistiram à Santa Missa. Regressaram logo todos ao Rio de Janeiro.

Passaram-se alguns anos e, a 23 de Agosto de 1933, o Dr. Getúlio Vargas veio render sua homenagem à excelsa Padroeira do Espírito Santo.

Finalmente, a 10 de Setembro de 1949, o General Eurico Gaspar Dutra ajoelha-se, perante o trono de Nossa Senhora da Penha. Acompanharam-no pessoas destacadas do Governo, dentre as quais os Ministros Clemente Mariani e Clovis Pestana.

Seria demasiado extensa a relação de todas as visitas de jornalistas, historiadores, diplomatas, etc. que têm palmilhado a encosta sombreada pela floresta primitiva, onde se ocultara o primeiro anacoreta do Brasil. No Oitavo Congresso Brasileiro de Geografia, por exemplo, realizado em Vitória, em Novembro de 1926, seus membros, acompanhados pelos Srs. Bispos Dom Benedito Alves de Souza e Dom Emanuel Gomes de Oliveira, foram, no dia 28, visitar o Convento da Penha, completando assim os objetivos do importante certame.

Fonte inspiradora dos artistas, sejam pintores, musicistas ou poetas, destaca-se o Outeiro da Penha como símbolo máximo da Terra Capixaba. Figura, por isso, justamente, no selo e nas Armas do Espírito Santo e no Ex-Libris do seu Instituto Histórico e Geográfico.

Levino Fânzeres exaltava-o, nos prodígios de sua palheta; Alvaro Conde retrata-o, nas finuras do seu pincel; Benedito Calixto perpetuou suas lendas e seus milagres, em quatro valiosas telas inauguradas em 1927; Vitor Meireles deixou, nos retábulos do Santuário, os registros das passagens iniciais do monumento.

Avultava, no Espírito Santo, o número de veículos, em conseqüência do desenvolvimento da rede rodoviária e dos serviços urbanos, em Vitória. Assinalava-se o governo do Dr. Florentino Avidos como renovador da Cidade: — abriam-se novas ruas, alargavam-se outras, surgiam bairros encantadores, construiam-se edifícios públicos e grupos residenciais. Ligada a Ilha ao Continente, através da ponte que, de Vitória alcança a Ilha do Príncipe e, daí, São Torquato, facilitando a viagem rápida a Vila Velha, pela estrada de rodagem, o Governo julgou oportuno a construção de um complemento de acesso ao Santuário da Penha. A 28 de Junho de 1928, ao término do período presidencial, o Dr. Florentino Avidos inaugurou esse trecho que, ladeando a encosta, vai da Rua Pedro Palácios ao Campinho, na base do rochedo.

Desde então, surgiu a moda de ir à Penha, de automóvel. Sendo essa estrada mais suave, para os pedestres, a ladeira ficou, mais ou menos abandonada. Procuram-na entretanto os romeiros penitentes, que, na maioria, sobem-na, descalços.

A 2 de Fevereiro de 1942, os sacerdotes franciscanos, por determinação de Santa Sé, reassumiram a direção do Santuário da Penha e restabeleceram a vida claustral no Convento, sendo o primeiro guardião Frei Luis Wamb. Intensificou-se a assistência espiritual aos romeiros, em conseqüência do número de sacerdotes.

Auferiram depois o Governo e o Santuário os benefícios que o Governo Federal dispensa aos monumentos antigos e históricos, mediante o Serviço do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional. Em Junho de 1945, o Sr. André Carloni iniciou a restauração do Convento, nos seguintes pontos: — madeiramento e cobertura do telhado; cozinha, inclusive a torre da chaminé; vários detalhes arquitetônicos internos e externos do Convento e do Santuário; o portão localizado à beira-mar muros laterais da ladeira, pintura geral. Esse trabalho, concluído em Julho de 1946, custou, ao referido Serviço, a importância de Cr$ 129 924,10.

Preparava-se a Diocese para comemorar suas bodas de ouro, em 1945. Celebravam-se, em todas as paróquias, tríduos e novenas de ação de graças pela assistência divina derramada sobre o Espírito Santo, no tempo decorrido. Imponente Semana Eucarística assinalou o ano de 1944. Mas, de certo, voltar-se-ia para a estremecida Padroeira da diocese o apogeu dos fervorosos louvores, que deviam assinalar a data festiva. Por isso, na maior artéria da Cidade, armou-se o belíssimo altar-monumento, representando o rochedo incomparável, encimado pelo disco alvo da Eucaristia. Ali, naquele cenário, perante o qual se ajoelhava uma assistência jamais registrada, em Vitória, — peregrinos de todo o Brasil, arcebispos, bispos, sacerdotes, vindos de todos os Estados, associações religiosas etc., cumpriu-se o elevado programa do Congresso Eucarístico Nacional de 1945.

Transportado festivamente de Vila Velha, o quadro da Virgem, relíquia dileta de Pedro Palácios, foi colocado, em triunfo, no altar, a fim de presidir aos atos do Congresso. E o povo exultou, na recepção gloriosa do painel histórico e lendário. Sua alma crente e forte vibrou nas emoções mais profundas e ternas, porque, na simplicidade daquele retábulo sempre admirado e querido, surgia a evocação da sua história pontilhada de lutas e vitórias, com a sinceridade e o brio de evoluir, no conjunto da vida nacional, desde a Capitania até a Província e o Estado, envolto sempre na proteção da Virgem SS. da Penha, — o seu refúgio, no pungir das horas amargas, e o seu fulgor imperecível, na felicidade dos momentos gloriosos.

Música! Fogos! Vivas! Hinos sublimes! ...

Uníssonas, milhares de vozes exclamaram: — Viva Nossa Senhora da Penha!

 

Fonte: O Relicário de um povo – O Santuário de Nossa Senhora da Penha, 2ª edição, 1958
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2018

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