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Frade e Freira – Por Maria Stella de Novaes

Cartão Postal do Frade e a Freira, 1968

Frade e Freira é o conjunto de dois rochedos, que se defrontam, num mesmo alcantil, como se fossem esculturas planejadas, para a representação das figuras de um monge e uma devota, esta envolta num manto, em atitude contrita.

Maravilhosa disposição da Natureza! ... Encontra-se na estrada de rodagem Vitória-Rio de Janeiro, nos limites dos municípios de Rio Novo e Cachoeiro de Itapemirim, ponto de deslumbrante paisagem.

Sempre imaginoso, o povo batizou aquela beleza natural: — Frade e Freira, e celebrizou o granito, numa das lendas mais atraentes e expressivas da Terra Capixaba. Lenda de amor cruciante e silencioso de uma silvícola. Lenda que, na verdade, é esta, agora descrita. Gira em torno de uma indiazinha e um missionário, com a maior pureza de sentimentos. Mesmo porque, somente no Século XX, chegaram religiosas ao Espírito Santo, — as Irmãs de Caridade, em Vitória. E os frades, no Século XVI, — os franciscanos que se instalaram igualmente, na Capital.

Uma lenda não pode incidir num anacronismo. Nem discrepar da História.

Vejamos:

Encontraram-se dois seres humanos, quando as matas cobriam ainda, com toda a exuberância, o solo da Capitania. Ele, aqui aportado, no vigor da juventude, para votar-se, fervoroso, à catequese dos silvícolas, certa vez, na beleza e inocência de uma goitacá, descobriu o sentido da VIDA, que se irradiava de um olhar apaixonado.

Algo de estranho os conduz a descerem às praias de Benevente. Andaram, até as brenhas do futuro Rio Novo

Subiram...

Ele descrevia e exaltava as verdades evangélicas e a grandeza do amor divino. Ela, coberta com um manto, parecia as figuras da Virgem, veneradas na igreja.

Apaixonada, crente na força de Tupã, a índia arrasta-o, naturalmente, à contemplação do oceano, do Belo, descortinado além, do alto do monte. Incapaz de compreendê-lo chora... Deseja que ali permaneçam, longe, bem longe das criaturas.

Quer a plenitude do amor!

Ajoelha-se!

Então, forte, curvado perante o dever, o missionário procura abençoá-la e erguê-la, para retomarem o caminho da aldeia. Sentem, porém, um fragor, na montanha.

Ela exclama: — Tupã!

Ele invoca: — Meu Deus!

E ali permaneceram soterrados. No decorrer do tempo, à medida que se erguiam, misteriosas, no cimo do monte, as esculturas de granito, foram morrendo as árvores, que deixaram descobertos dois bustos simbólicos naturais, decantados, posteriormente, pelos vates capixabas, fixados pelos artistas e admirados pelos que transitam, na estrada de Cachoeiro de Itapemirim ao Rio Novo.

É um quadro grandioso, quando o Sol doira a figura do Frade, e, na fúria das tempestades, a frente do rochedo surge iluminada pelos clarões do relâmpago.

A chuva parece aumentar a tristeza da Freira!

 

Fonte: Lendas Capixabas, 1968
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2017

Folclore e Lendas Capixabas

JOGOS DE SALÃO

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Eurípedes Queiroz do Valle se refirindo ao livro da professora Maria da Glória disse: Há nesse livro uma nota de tocante amor filial. É quando a autora, na dedicatória inicial, se refere, carinhosamente, a um sábio conselho de sua veneranda e saudosa mãe, ao lhe dizer:- “Escrevam todas as cousas bonitas de Vila Velha antiga, porque, quando eu e os outros velhos desaparecermos, todas essas belezas desaparecerão conosco”. E ela escreveu. E fê-lo neste belo livro.

 

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