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Reis Magos ou Nova Almeida

Desenho em tamanho natural, que Dom Pedro II fez na sua caderneta de notas, da casaca ou reco-reco-de-cabeça (Fonte: Livro do Levy Rocha - Viagem de D.Pedro II ao ES

Nos princípios do século XVII surgiu no ES uma nova aldeia, que passou a chamar-se Reis Magos, atual Nova Almeida, na Serra.

Ali foram construídas a Igreja de Santo Inácio e Reis Magos, e agregada a esta, a residência dos Jesuítas.

Além de tornar-se importante núcleo de catequese, gozava da preferência dos noviços que chegavam da Europa para a aprendizagem da língua brasílica.

Como nas demais localidades da provincia do ES, o Imperador Dom Pedro II iria visitar aquele povoado. Os seus moradores encheram-se de orgulho e procuraram enfeitar as casas, roçar e caponar os matos maiores e cuidar dos reparos urgentes das estradas.

A comissão de tais preparativos não dispunha de muito tempo nem do dinheiro necessário, tanto assim que não pode reparar as ruínas em que se encontrava parte do edifício do Convento, que servia de Paço Municipal e de cadeia.

Precisamente às 15:30h, do dia 1º de fereveriro, quarta-feira, Dom Pedro II montava a cavalo na vila da Serra, a caminho da vila de Nova Almeida.

Muito antes que os primeiros cavaleiros assomassem à ladeira que conduz à grande praça, noitinha, já o sino da matriz dera o sinal festivo da aproximação do Imperador que vinha pela estrada do centro, fazendo ajuntar o povo, formando duas alas desde o paço da Câmara Municipal até a estrada da Praça.

Ao surgir o Monarca, atravessando entre as alas, foi saudado por girândolas e vivas entusiásticos dos habitantes da terra dos Manuéis.

Ainda dessa vez, Dom pedro II não se esqueceu de consultar o relógio. Ele registrou a hora da chegada e observou o estado do Convento, que sofrera consertos incompletos há quatro anos atrás, isto é, em 1856, no governo do Barão de Itapemirim:

"Entrada no convento, 7 menos 5. O convento de sobrado tem a frente para a praça quadrangular havendo na extremidade oposta uma pequena casa de sobrado; a única que vi até agora, sendo bastantes cobertas de palha."

O padre Antônio dos dos Santos Ribeiro, da vila de Santa Cruz acompanhou o monarca e prestou-lhe algumas informações:

"Aqui tiveram os Jesuítas uma cadeira de língua geral indígena que julgo ser a mesma dos tupiniquins."

Noutro local, Dom Pedro II escreveu, sobre o padre:

"O vigário Santos Ribeiro é inteligente, mas chefe de partido: o Bispo protege-o, é encomendado, são informações do Presidente."

Da Igreja foi o Imperador conduzido aos aposentos, onde foi lhe servido um jantar ligeiro, que aquela hora, era considerado uma ceia. A sobremesa foi mel em cuia.

Sua Majestade foi atraído por uma Banda de Congo que os caboclos formavam em louvor a São Benedito.

Ele anotou:

"Dança de caboclos com as suas cuias de pau de cegos para esfregarem outro pau pelo primeiro."

O instrumento que chamou a atenção do Imperador, a ponto de merecer do seu lápis de desenhista um rápido bosquejo, foi a cassaca, casaca, ou reco-reco de cabeça. Era típico e sui generis do folclore capixaba.

Nota do Site: O desenho do Imperador ilustra essa matéria.

 

Fonte: Viagem de Pedro II ao Espírito Santo
Autor: Levy Rocha, 2º Edição - 1980 (1ª edição de 1960)
Compilação: Walter de Aguiar Filho, novembro/2011

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