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Inovação na Vida Urbana de Vitória no início do Século XX

Rua da Alfândega (hoje Florentino Avidos), cerca de 1924

Os "Serviços de Melhoramentos" introduziram certas normas técnicas, que marcaram diretrizes novas na arte de se projetar e construir em Vitória. Por extensão, o prefeito Octávio Peixoto mandou elaborar o Código de Posturas municipais, trabalho de compilação dos códigos de São Paulo e Rio, adaptado ao panorama capixaba pelo jurista Ubaldo Ramalhete Maia e pelos engenheiros Francisco Menescal e Luiz Derenzi. Restringiu-se a liberdade leiga dos projetistas e mestres-de-obras. A moradia tornou-se mais humana. Os princípios rudimentares de segurança e de higiene domiciliária foram impostos gradativamente. Despediram-se os porões semi-habitáveis. Os de reduzidos pés-direitos foram aterrados e impermeabilizados. O compartimento sanitário foi promovido à peça primordial, ocupando posição destacada no projeto. O azulejo e o ladrilho hidráulico, ingressaram nos banheiros e cozinhas. O perímetro retangular do projeto quebrou-se em benefício das áreas reentrantes, permitindo aberturas de vãos às peças, outrora iluminadas por clarabóias, imunes ao ar e à luz natural.

As casas de comércio foram obrigadas também a se higienizar, embora com menor resultado para os velhos pardieiros, cujos proprietários irredutíveis preferiam permanecer na ignorância conservadora. O concreto armado fez sua aparição oficial e não tardou a se generalizar. As couçoeiras, os soalhos de tábuas, as escadas, as célebres amarrações de ferro perimetrais, na altura das cimalhas, chaves de segurança, como eram chamadas, cederam lugar ao concreto revolucionário e delgado. Ficou a arquitetura de mau gosto, tipo cidade novo, em grande voga no Rio de Janeiro da primeira década. O meio ainda era pequeno e a educação dos proprietários primária, para que medrassem os escritórios de arquitetura e construção. Não se pode negar, porém, que o avanço foi considerável. Vitória se renovou e evoluiu. Acentua-se o crescimento urbano da cidade. Separa-se o domicilio do ambiente de trabalho, privilégio só desfrutado pelo grande comerciante de então.

A valorização imobiliária de Vitória, mormente da zona comercial, teve, de fato, origem na administração Ávidos. A área convergente ao porto tornou-se pequena à expansão do comércio. O preço dos imóveis elevou-se, fenômeno que não ocorria desde 1910. As casas residenciais pouca alteração tiveram. O governo construiu bairros inteiros para venda a longo prazo. O preço do metro quadrado oscilava entre duzentos e cinqüenta e trezentos mil réis. Foi o valor de venda dos grupos construídos nas chácaras do Mulundu, "Vintém", (Zona da Rua Graciano Neves) e Jucutuquara. Porém, houve uma espécie de estabilização de preço, para casas residenciais. Em Vitória toda a crise acarretava baixa nos bens imobiliários.

Quase sempre, nesses "intermezzos", os imóveis desciam de vinte a trinta por cento abaixo do custo histórico. Com as obras executadas pelo governo Ávidos essa anomalia desapareceu.

A construção da ponte, do parto e o sistema rodoviário garantiram maior volume de negócio, enriquecendo a praça. A pavimentação de áreas enormes, o alargamento de ruas, as drenagens, as grandes desapropriações de pardieiros coloniais, concorreram de modo eficaz para o fortalecimento da propriedade privada.

 

Fonte: Biografia de uma ilha, 1965
Autor: Luiz Serafim Derenzi
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2017

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