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O Enfermeiro das contas brancas - Por Maria Stella de Novaes

Primeira capela no alto da Penha. Pictorio Imaginativo - Desenho: Luiza Celina Valderato

Era assim chamado um irmão leigo franciscano, que viveu alguns anos, em Vitória, e passou, depois, a residir na Ermida das Palmeiras, onde preparou a construção do Convento; lançou a pedra fundamental; adiantou-lhe a obra. Tratava-se de Frei Francisco da Madre de Deus que professara, na Ordem Franciscana, em Olinda, a 17 de setembro de 1617. Transferiu-se para o Espírito Santo, porque desejava conhecer a Penha.

Natural de Arrifama de Sousa, filho de Gaspar Fernandes e Margarida Fernandes, foi barbeiro, no Brasil, e teve tenda pública, na Bahia de Todos os Santos. Mudou-se para Pernambuco, onde ingressou na vida religiosa. Exerceu o cargo de enfermeiro, em Olinda.

O apelido — Enfermeiro das Contas Brancas — resultou do seu ofício caridoso e do hábito de trazer sempre um rosário branco, nas mãos, ou à guisa de colar.

Dobram os sinos do Convento de São Francisco!

Voltam-se os pensamentos para o Monte do qual se irradiavam os ensinamentos do Pobrezinho de Assis.

Corre a notícia: Morreu o Enfermeiro das Contas Brancas! A figura piedosa, atenta sempre a lenir o sofrimento físico, para fortalecer as almas e atraí-las para Jesus.

Missionário e asceta, sua passagem, no Espírito Santo, teve uma auréola de lenda: — Conta-se que, extasiado, perante a opulência dos cenários capixabas, atônito, pela divergência entre o viço da Natureza, a poesia dos sítios e a miséria moral dos povoadores, exausto de pregar a virtude e combater o vício, tomava do seu rosário de contas brancas e percorria os caminhos da Vila, a passos vagarosos, dedilhando-o, enquanto murmurava as palavras sublimes da Ave-Maria.

Caía a tarde. Perseverante, no seu apostolado, o franciscano descia a encosta, prendia o rosário ao pescoço e badalava, pelos caminhos da Vila, uma campânula de metal precioso, para anunciar aos habitantes a hora do Ângelus.

A campânula bonita era o Sino de Ouro de Frei Francisco da Madre de Deus.

Certa vez, desapareceu o instrumento magnífico.

Frei Francisco não descia do Convento.

Procuraram-no.

- Eu? Para que badalar um sino de ouro, no meio de corações de ferro? Basta que a voz do campanário da matriz ecoe, nas selvas, e suba às estrelas. O sino de ouro jaz sepultado, no solo da Vila da Vitória! E será encontrado somente, quando, no Espírito Santo, todos souberem ler os livros que louvam a Deus e ensinam aos homens os preceitos da Honra, da Lealdade e da Justiça!

- Onde estará enterrado o Sino de Ouro?

 

"Consta que está enterrado, no alto da Escadaria Maria Ortiz."

 

Fonte: Lendas Capixabas, 1968
Autora: Maria Stella de Novaes
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2015

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