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No tempo de Maria Ortiz - Por Mário Freire

Escadaria Maria Ortiz - Construção 1920

Uma das primeiras medidas administrativas do século XVII, foi, corno dissemos, completa proibição de tráfico ou comércio com estrangeiros. Quanto ao pau-brasil, um regimento do 1605 mandou, além do confisco da mercadoria, punir com a pena de morte quem o cortasse sem licença da Provedoria-mór da Fazenda.

Em Reritiba, por onde se fazia alguma exportação de pau-brasil, antes de conhecida a proibição, haviam os jesuítas contratado, com holandeses, a entrega de um carregamento, em troco de objetos e paramentos para igreja. Ao chegar, porém, a embarcação incumbida de carregar o pau-brasil, assim vendido a estrangeiros, além de não estar mais, no Espírito Santo, o Superior que celebrara o acordo, todos já sabiam da proibição. Recusada a entrega da mercadoria, os mercadores, indignados, raptaram quatro índios, levando-os para o sul. Navegavam na altura de Cabo-Frio, quando os indígenas conseguiram apoderar-se da embarcação, e assim foram ter ao Rio de Janeiro, a tempo de narrar a Martim de Sá, ainda no governo, o que lhes havia sucedido.

No primeiro lustro deste segundo século de colonização, ficou concluída a igreja jesuítica dos Reis Magos, no grande aldeamento, depois transformado na Vila de Nova-Almeida.

Ainda em Vila Velha, os beneditinos foram, em 1605, contemplados com um legado da sesmaria de Boa-Vista. Servia como capitão-mor o Ouvidor Afonso de Franca.

Neste princípio de século, três provisões reais proclamaram a completa liberdade dos indígenas, recomendada e mandada reiteradamente respeitar, pelo menos, desde 1570. A de 10 de setembro de 1611 admitiu apenas o cativeiro dos que fossem aprisionados em guerra e dos condenados, se porventura resgatados.

Uma nova divisão da colônia em dois governos veio demonstrar a volta, na Corte, da política de procura das cobiçadas minas e dos descobrimentos das pedras tão apreciadas. Coube assim a D. Francisco de Souza, em 1608, o governo da Repartição do Sul, compreendendo o Espírito Santo. Alguns anos depois, a propósito dessa divisão, esclarecia o Livro que da Razão do Estado do Brasil: "A Capitania, de Porto Seguro parte pelo Espírito Santo pelo rio Doce em 19 graus; ou, segundo outros querem, pelo rio Circacem (Cricare?), mais ao norte, que foi o ponto por onde se dividiu este Estado entre D . Francisco de Souza e D. Diogo de Menezes". O Cricaré nunca deixara de ser considerado em território desta Capitania. Assim o referiu Mem de Sá na carta em que comunicou, ao Rei, a morte do filho.

Como para compensar o dispêndio acarretado  pela nova divisão, três anos depois desceu do sertão Marcos de Azeredo trazendo um novo punhado de pedras faiscantes, dizendo-se provenientes da longínqua serra das Esmeraldas...

Por despacho de 6 de Novembro de 1610, o Capitão e Governador Francisco de Aguiar Coutinho estabeleceu, a requerimento do jesuíta João Martins, os índios da primitiva aldeia dos Reis Magos em uma sesmaria de 6 léguas no lugar denominado Japara, porque as terras daquela aldeia, formada em 1580, estavam muito cheias de formigas...

Um alvará régio permite conhecer um curioso orçamento das despesas da Fazenda, nesta Capitania, em 1617: reservados 578$40 para encargos eclesiásticos, restavam apenas 115$200 consignados para outros misteres. Entre esses últimos avultavam 40$000, isto é, pouco mais de um terço, destinados à tença concedida, com as honras do Hábito de Cristo, àquele famoso sertanista, descobridor das primeiras esmeraldas...

O comércio anual orçava, aproximadamente, por 60 000 escudos.

Não obstante a abundância de dinheiro, na  Colônia, com a introdução da prata espanhola, os beneditinos abandonaram o Espírito Santo, alegando falta de recursos. São conhecidas as escrituras, que, nesta ocasião, firmaram a propósito das propriedades que deixaram.

Incorporada à Coroa em 1619, a antiga Capitania de S. Tomé ficou, a princípio, anexada à do Espírito Santo.

 

Fonte: A Capitania do Espírito Santo, ano 1945
Autor: Mário Aristides Freire
Compilação: Walter de Aguiar Filho/ maio/2015

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